A baixaria já recomeçou (e piorou)

Dois meses atrás, recebi (e respondi) uma mensagem tosca contra o governo Lula, criticando a abertura de uma embaixada do Brasil em Tuvalu. Os “gênios” que repassam aquele lixo e-mail, pelo visto não sabem que relações diplomáticas são questão de Estado, e não de governo. Ou acham que, se eleito, José Serra imediatamente romperia as relações diplomáticas com Tuvalu? (Só imagino, se isso por acaso acontecesse, o mundo se perguntando o que aquele país teria feito de tão ruim para o Brasil.)

Pois é, e agora essa mesma merda mensagem está de volta… A minha mãe recebeu, e me repassou para que eu desse risada dos direitoscos que mandam isso.

O problema, é que algumas coisas que vêm acontecendo não podem ser consideradas “engraçadas”. Como a situação passada pela filha de Arnobio Rocha. A menina, de 9 anos de idade, que estuda em uma escola católica de São Paulo, disse que os pais haviam votado em Dilma Rousseff e por isso foi agredida por colegas cujos pais votaram em José Serra. Não só com as mentiras de sempre (ou seja, que Dilma seria “terrorista”, “assassina”, “a favor do aborto” etc.), como também fisicamente.

Isso é muito preocupante, independentemente da posição política defendida, pois se quando pequenos já agridem uma criança só porque os pais dela votaram em outro candidato, imagine quando crescerem… Fazer política com base no ódio não combina com democracia, e sim com totalitarismo (fascismo, à direita; e stalinismo, à esquerda).

Em comentário à postagem que fez a denúncia, um eleitor de Serra repudiou veementemente o acontecido, e lembrou algo que muitos parecem ter esquecido: nem Dilma nem Serra são salvadores da pátria ou santos, são apenas candidatos a um cargo eletivo.

Direita é derrotada no RS, e ganha “sobrevida” nacionalmente

No Rio Grande do Sul, deu Tarso governador no primeiro turno. Uma vitória histórica, por dois motivos.

O primeiro, porque Tarso Genro tornou-se o primeiro governador no Estado a ser eleito no primeiro turno desde que se passou a exigir mais de 50% dos votos válidos para o candidato ser eleito, conforme a Constituição Federal de 1988. A partir de então todas as eleições para o governo do Rio Grande passaram a ser decididas em dois turnos. Até chegar esta de 2010… Tarso teve 54,35% dos votos – superando o percentual que Olívio Dutra teve ao ser eleito no segundo turno de 1998, de 50,78%.

O outro motivo, é a derrota do tradicional discurso de que “o PT mandou a Ford embora” (que, apesar de já ter sido provado que era baseado em uma mentira, ainda chegou a ser usado na campanha), assim como de outras tosquices muito usadas pelos direitosos para justificarem seu antipetismo. Nas últimas duas eleições, foi justamente o antipetismo que fez Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB) “caírem de paraquedas” no Palácio Piratini, já que quando ambos foram eleitos os favoritos eram outros: em 2002 tudo indicava que Tarso enfrentaria Antônio Britto (PPS) no segundo turno, mas a alta rejeição de Britto fez os direitosos passarem a votar em Rigotto, que acabou sendo eleito; já em 2006, Rigotto concorria à reeleição e era favorito, mas o próprio PMDB passou a pedir que seus apoiadores votassem Yeda para evitar um segundo turno entre Rigotto e Olívio, e com isso quem ficou de fora foi Rigotto e no segundo turno, é óbvio, os direitosos elegeram a tucana.

A propósito, sobre o (des)governo Yeda, só tenho uma coisa a dizer: adeus, e até nunca mais!

Mas numa coisa, não se pode discordar da futura ex-(des)governadora. Yeda disse que a eleição foi “despolitizada”. De fato, foi, como provam as eleições de Ana Amélia Lemos (PP) ao Senado (votaram nela só porque era da RBS!!!), assim como do ex-goleiro do Grêmio, Danrlei (PTB), para a Câmara Federal. Resta torcer para que eles me provem que estou errado e sejam ótimos parlamentares (embora eu não acredite muito), mas acho que está na hora de parar com a balela de que o Rio Grande do Sul é o “Estado mais politizado do Brasil”.

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Já para presidente, haverá segundo turno, como o Hélio já alertara semana passada. Provavelmente vai dar Dilma (que contará com o meu voto), já que Serra precisa conquistar para si mais de 80% dos votos que foram para Marina no primeiro turno, e acho isso muito difícil. Ainda assim, acredito que Dilma não conseguirá repetir as votações de Lula em 2002 e 2006.

Até 31 de outubro, ainda veremos muita baixaria, muitas “correntes” nas nossas caixas de e-mail… Haja paciência.