Meus jogos no Olímpico Monumental: 2013?

2 de dezembro de 2012: talvez não tenha sido a despedida.

Quase caí da cadeira quando li notícias a respeito do Grêmio cogitar a realização de alguns jogos do Gauchão no Olímpico, devido ao gramado da Arena ainda não estar nas melhores condições.

Como eu disse, a Arena não estava 100% na inauguração, o que poderia até justificar que só começasse a receber jogos mais tarde – mas, ao mesmo tempo, era preciso um “evento-teste”, até para ver onde estavam todos os problemas. De qualquer forma, eu não veria problema algum em inaugurar a Arena e ainda poder jogar no Olímpico, que só será entregue à OAS no final de março.

Porém, não depois de nos despedirmos dele. Ir ao Olímpico assistir jogos depois de termos nos emocionado em 2012, justamente porque o Gre-Nal do dia 2 de dezembro fecharia as portas do estádio, é algo totalmente sem sentido. Faz parecer que tudo o que sentimos naqueles dias foi em vão.

E quem torrou dinheiro para conseguir ir ao Gre-Nal? Sim, os ingressos foram caríssimos, justamente porque era a despedida…

Tudo isso, só porque Paulo Odone queria a todo custo ser o “pai da criança”. Chegava a falar em final da Sul-Americana (já contando com a classificação do Grêmio) na Arena, já anunciando que após o Gre-Nal o Tricolor jamais jogaria novamente no Olímpico. Por mais que eu fosse contra, já tinha me acostumado com a ideia de que em 2 de dezembro de 2012 eu assistiria a um jogo no Monumental pela última vez. Aliás, toda a torcida. Daí a partida ter sido tão especial.

Tivessem anunciado que a Arena seria inaugurada mas o Grêmio ainda jogaria no Olímpico pelo Gauchão (além de um necessário amistoso de despedida que, incrivelmente, sequer foi cogitado pela direção anterior), de modo a dar os últimos retoques no novo estádio, eu acharia sensacional, e estaria preparando o coração para a despedida em março. Mas dar adeus ao Olímpico e voltar justamente por que falta algo na Arena (gramado em plenas condições), só servirá para alimentar a flauta dos colorados.

A inauguração da Arena do Grêmio

De última hora consegui um ingresso para a inauguração da Arena com o Hélio Paz e me fui para a nova casa do Grêmio. De fato, o estádio é realmente belíssimo, imponente.

Pena que, sinceramente, não estava totalmente pronto para ser inaugurado. E nem falo só da questão dos acessos. Poucos bares estavam funcionando, e o resultado foi: demoradas filas para pegar um cachorro-quente (que além da pipoca era a única opção de alimentação, não tinha salgadinhos nem nada; menos mal que para comprar bebidas havia vendedores ambulantes). Os banheiros (que também não funcionavam em sua totalidade) não tinham aquela tradicional fila do Olímpico, ainda mais que agora eles têm porta de entrada e saída, mas alguns estavam alagados. E o gramado, vamos combinar, estava ruim…

Considerando que o Grêmio só entrega o Olímpico para a OAS no final de março, não seria razoável usufruir do Monumental um pouco mais para inaugurar a Arena com tudo pronto? Certamente que sim, não fosse um detalhe: Paulo Odone queria ser o presidente na inauguração (ele sempre prometia que entregaria ao Grêmio a Arena construída). Mesmo não tendo sido reeleito, é o nome dele que está na placa que marca a abertura do novo estádio. Em março, o (mais uma vez) eternizado seria Fábio Koff.

O passado não volta, mas pode servir de inspiração

Vez que outra, sou tomado pela nostalgia. Nada mais normal no ser humano do que, em um dia ruim, desejar muito que o tempo volte apenas para reviver dias mais felizes.

Depois a nostalgia passa, e percebo que é impossível voltar no tempo. Não tem jeito: o passado literalmente passou, e se o presente é ruim, que se faça algo para que o futuro seja melhor.

Porém, isso não quer dizer que o passado deva simplesmente ser jogado em “um canto” da memória (aliás, se eu concordasse com isso deveriam cassar meu diploma de História). Ele precisa ser relembrado, tanto em seus aspectos bons como nos ruins: as coisas boas podem muito bem servir de inspiração na construção do tão sonhado futuro melhor, já as ruins devem ser recordadas para que não cometamos erros semelhantes.

Os parágrafos acima se devem à eleição de hoje no Grêmio, na qual tenho três opções: o presente, o passado errado, e o passado nostálgico.

O presente do qual falo, obviamente, é Paulo Odone. É preciso ser extremamente desonesto para dizer que ele é um dos piores presidentes que o Grêmio teve: quem acha isso, não sabe o completo fracasso que foram as gestões de Flávio Obino, Rafael Bandeira dos Santos, e mesmo a de Cacalo (foi um grande vice de futebol, mas como presidente ganhou apenas um título, a Copa do Brasil de 1997, ainda com o time de 1996). Sem contar José Alberto Guerreiro, que até ganhou a Copa do Brasil de 2001, mas deixou o clube endividado, à beira da falência. Já Odone assumiu no pior momento da história do Grêmio (no início de 2005 o Tricolor estava rebaixado e afundado em dívidas até a testa) e, não se pode negar, conseguiu tirar o clube do inferno, embora não o tenha posto no paraíso, como dizem: boa parte da dívida com o condomínio de credores (uma boa iniciativa de Odone) foi quitada no biênio 2009-2010, ou seja, quando Duda Kroeff era presidente.

Porém, vem sendo muito repetida a afirmação de que só o Odone quis assumir a bronca. Não é verdade: em 2004 houve eleição para presidente do Grêmio e Odone não foi candidato único, teve de enfrentar Adalberto Preis e Antônio Vicente Martins – inclusive, foi a primeira vez em que os sócios foram chamados a elegerem o presidente e eles escolheram Odone.

Outro fato é que o estilo de Odone não me agrada nem um pouco. Não me esqueço de suas entrevistas após derrotas do Grêmio, quando para fugir do assunto ele falava de Arena, imortalidade, Batalha dos Aflitos… Sem contar o fiasco daquela negociação com Ronaldinho.

Assim, se não me agrada o presente, me restam duas opções ligadas ao passado. A primeira, é a de Homero Bellini Júnior, que é do mesmo movimento político de Guerreiro e era vice jurídico do Grêmio em 2001, quando Ronaldinho saiu praticamente de graça do clube. Ou seja, posso até estar sendo injusto com Bellini (que nunca foi presidente, ao contrário de Odone e Koff, que assim podem ter melhor analisados seus defeitos e qualidades), mas ele representa o “passado errado” do qual falo.

Assim, prefiro ficar com o “passado nostálgico”, que obviamente atende pelo nome de Fábio André Koff. Trata-se do presidente mais vitorioso da história do Grêmio (que, vale lembrar, não começou em 2005): com Koff, o Tricolor comemorou títulos, e não vagas. Mesmo que a classificação para a Libertadores de 1983 tenha vindo com um vice-campeonato (no Campeonato Brasileiro de 1982), o Grêmio não se contentou em comemorar a vaga, e tratou de ganhar a América e, depois, o Mundo. Então Koff saiu e voltou em 1993, para reerguer o Grêmio que voltava da Série B: ganhou a Copa do Brasil de 1994, a Libertadores de 1995 (assim foi ao Mundial e perdeu nos pênaltis para o timaço do Ajax), e se despediu da presidência com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1996.

Porém, votar em Koff não é mero pensamento mágico, do tipo “voltar a 1995″ – até porque, como já disse, o passado não volta. Nem é votar “pelo fim do projeto Arena”, como alguns dizem: na chapa de Koff está Adalberto Preis, presidente da Grêmio Empreendimentos (responsável pela Arena) durante a gestão de Duda Kroeff – vale lembrar que a obra começou em 2010, ou seja, com Kroeff e Preis.

Voto em Koff também porque não suporto mentiras. Muitas li (em panfletos apócrifos) e ouvi: além da tolice de que ele iria “acabar com a Arena”, também vieram com o papo de que ele “abandonou o Grêmio”, quando a verdade é que ele ajudou muito o clube – clique aqui e leia o item 3. (E é bom lembrar que Odone se licenciou da presidência para concorrer a deputado estadual em 2006: por que ninguém se queixa de seu “abandono”?)

E quanto a Fábio Koff “ter ajudado Fernando Carvalho”… Sinceramente, não vejo motivos para ficarmos tão bravos, tão “amargos”. Pelo contrário, é uma flauta a mais que podemos tocar em nossos rivais: sozinhos, eles não ganham nada!

Aliás, era o que acontecia naqueles anos inesquecíveis de Koff à frente do Grêmio: enquanto eles se matavam por uma vaguinha nas finais dos campeonatos que jogavam, nós levantávamos taças. O ano de 1995, por exemplo, foi um dos mais sensacionais que tive: além da turma do colégio, foi muito marcante aquela Libertadores que se somou à de 1983 e a muitas outras taças que o Tricolor ganhou com Fábio Koff na presidência.

Eu já sabia

Desde o momento em que aquela bola cabeceada por Barcos resultou no segundo gol do Palmeiras no Olímpico, semana passada, eu tinha quase certeza da eliminação do Grêmio. Embora obviamente desejasse muito estar errado.

Mas, infelizmente, acertei: o Grêmio já estava fora da Copa do Brasil. E pensando pequeno, fica difícil ganhar alguma coisa.

Basta ouvir uma entrevista do presidente Paulo Odone para entender o que eu quis dizer. Para terem uma ideia, quando questionado sobre o jejum de títulos, Odone disse que o clube não passou vergonha nos últimos 11 anos.

Ou seja, a torcida gremista pode esquecer 2003 e 2004, não precisa se preocupar em não repetir aquilo. Pois é apenas uma ilusão, jamais existiu…

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Antes que alguém venha me atacar lembrando que o presidente do Grêmio naqueles dois anos era Flávio Obino: não esqueçamos que ele foi aclamado pelo Conselho Deliberativo. E o único voto contrário não foi de Odone, e sim, de Hélio Dourado – que um ano e meio depois de se opor à aclamação de Obino foi o único que teve coragem de assumir o comando do futebol quando tudo indicava o desastre que viria no final de 2004.

Provavelmente não passaremos

Populismo a parte, depois de 26 de novembro de 2005 nunca mais uma partida entre Grêmio e Náutico será um jogo qualquer. Gremistas e alvirrubros lembrarão daquele dia com pontos de vista totalmente opostos: os primeiros como façanha, e os segundos como tragédia.

Pois parece não ser coincidência que um novo encontro entre os dois clubes no Estádio dos Aflitos, onde se desenrolou o dramático jogo de 2005, se dê agora, em um momento em que o Grêmio precisa praticamente de um “milagre” para ir à final da Copa do Brasil. Inspiração para um novo “milagre” como aquele?

É difícil. Bem difícil. Tanto que acho melhor esquecer o Palmeiras e se focar no Campeonato Brasileiro – nem que isso signifique poupar jogadores em São Paulo – buscando os três pontos nos Aflitos e mais três no domingo seguinte, contra o Flamengo no Olímpico. Pois estes seis pontos poderão ser decisivos na reta final, quando espero que o Grêmio esteja brigando pelo título.

“Jogaste a toalha, Rodrigo?”, devem estar perguntando leitores incrédulos. Bom, isso poderia ser uma maneira de enganar o adversário, sugerindo desmobilização gremista e facilidade palmeirense – que, na “hora H”, iria se deparar com os titulares que meteriam os 3 a 0. Poderia ser, não fosse técnico do Palmeiras um certo Luiz Felipe Scolari, o “rei” da Copa do Brasil, único a conquistá-la três vezes: Criciúma em 1991, Grêmio em 1994 e Palmeiras em 1998.

Claro que, como dizem os mais surrados clichês, nada está realmente decidido, e o Grêmio poderá voltar classificado – o que, se acontecer, levará muitos gremistas a acreditarem que não foi coincidência jogar com o Náutico nos Aflitos neste intervalo entre os dois jogos com o Palmeiras, e também trará de volta todo aquele discurso de “imortalidade” que chegou a ser irritante. Porém, prefiro acreditar na coincidência e, principalmente, que é preciso vencer no Recife.

Aliás, importante dizer que tive uma surpresa positiva ao ouvir Paulo Odone no rádio após a derrota para o Palmeiras: salvo o presidente gremista tenha dito algo antes ou depois, ou em outra emissora, não o ouvi falar em Batalha dos Aflitos como inspiração para a partida de São Paulo.

Teremos vaias para Guerreiro e Odone também?

Passado o desastroso resultado do Grêmio no sábado (não que a vitória servisse para alguma coisa neste já acabado 2011, mas era obrigação vencer o lanterna América-MG), todas as atenções se voltam para o jogo do próximo domingo no Estádio Olímpico, contra o Flamengo. Mais: contra Ronaldinho – isso se ele vier.

O blog Grêmio Libertador tem uma inteligente sugestão para o torcedor gremista que, por motivos óbvios, lotará o Estádio Olímpico no próximo domingo. O blog propõe uma manifestação pacífica com o uso de faixas, muito mais eficaz do que atirar moedas no ex-gremista, como os mais exaltados poderão querer fazer – atitude burra que pode resultar numa interdição do Monumental. Com o estádio tomado por faixas contra o “ídolo”, o Brasil todo poderá ver ao vivo pela televisão – a Globo não terá como esconder*.

Leitores do blog também fizeram uma bela sugestão de “homenagem” cantada – se bem que neste caso será mais para o próprio Ronaldinho, já que na televisão o som pode ser cortado, como já é tradição da Globo.

Obviamente vaiarei Ronaldinho – não apenas como gremista, mas também como cidadão. Aquele “leilão” que vimos no início do ano foi uma das maiores palhaçadas que já vi – inclusive já estava enojado antes mesmo do desfecho da “novela”. Ronaldinho e seu empresário-irmão simplesmente enrolaram os três clubes que brigavam pelo jogador – no caso, Grêmio, Palmeiras e Flamengo – em busca do contrato mais vantajoso. Leia-se: mais milionário. Pois Ronaldinho, coitado, estava muito pobre no começo de 2011…

Porém, não deixo de também achar que a vaia a Ronaldinho – que provavelmente será a mais ensurdecedora da história do Olímpico Monumental – poderá acabar servindo de “válvula de escape” para as frustrações dos gremistas nestes últimos 10 anos. Pois além dele, também deveriam ser vaiados o ex-presidente José Alberto Guerreiro e o atual mandatário gremista, Paulo Odone. Os dois têm grande parcela de culpa nas duas “traições” de Ronaldinho – e mesmo pelo declínio gremista nesta última década.

Em 2001, o jogador saiu sem render quase nada ao Grêmio graças à fanfarronice de Guerreiro: quando Ronaldinho despontou e começou a atrair propostas da Europa, em 1999, o então presidente decidiu “fazer média” com a torcida e mandou afixar na entrada do Olímpico uma faixa avisando que o Grêmio “não vendia craques”. Desta forma, o clube recusou propostas “irrecusáveis” pelo craque – dinheiro que, como vimos ao longo destes últimos 10 anos, fez muita falta aos cofres gremistas. E não bastasse isso, em 2000 contratou “medalhões” pagando salários absurdos, enquanto Ronaldinho, que fazia aquele time jogar, não ganhava nem metade do que recebia o “reserva de luxo” Astrada. Embora isso não faça a saída de Ronaldinho em 2001 ter sido menos “sacanagem”, também ajuda a entender melhor o que aconteceu.

Já no início de 2011, Odone tentou posar de “vítima” de mais uma sacanagem da dupla Assis e Ronaldinho. Porém, como o acontecido em 2001 indicava, não era admissível que o presidente do Grêmio tivesse total confiança neles – logo, tal discurso “vitimizador” não colou. E, de tanto o Grêmio perder tempo tentando contratar o jogador, acabou ficando não só sem ele, como também sem seu maior goleador em 2010, Jonas, que assim como Ronaldinho em 2001, saiu quase “de graça”, dois dias antes da estreia na Pré-Libertadores. Deu no que deu: eliminação nas oitavas-de-final da Libertadores, campanha pífia no Campeonato Brasileiro, e a exaltação a uma conquista que era nada mais do que obrigação de um clube como o Grêmio (mas pelo que Odone fala, parece ser o que de mais importante o Tricolor já ganhou).

Desta forma, vaiemos (e muito) Ronaldinho. Mas, por favor, jamais esqueçamos de Guerreiro e Odone. Do contrário, acharemos que “lavamos a alma”, e assim continuaremos nessa por pelo menos mais 10 anos.

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* Destaquei o “ao vivo” pois meu irmão descobriu algo inacreditável. No compacto do jogo Corinthians x Inter pelo Campeonato Brasileiro de 2005, simplesmente não aparece o lance capital da partida e do campeonato – ou seja, o pênalti não marcado sobre Tinga e o cartão amarelo ao colorado que, por já ter sido advertido antes, acabou expulso. Como gremista quero que o Inter se exploda, mas que isso se dê de maneira justa (como foi contra o Mazembe), e não com roubalheiras – e que não foram só naquele jogo.

Grêmio 1 x 1 América-MG

Pergunta da minha chefe, na manhã de hoje: O Grêmio jogou ontem?

Minha resposta: Ontem o Grêmio entrou em campo. Agora, jogar já é outra história…

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Acabei não indo ao jogo. Fiz bem: se eu fosse, teria de assistir aquilo, e ainda por cima sem poder tomar uma cervejinha para atenuar o desalento.

E também não poderia protestar após o apito final. Pois quem vaia é “falso gremista”, e ainda corre o risco de apanhar da polícia…

FORA ODONE!

Uruguai, o maior da América

Foi incontestável. O Uruguai praticamente não deu chance ao Paraguai: marcando o primeiro gol cedo, com Suárez aos 11 minutos de jogo, impôs aos guaranis a necessidade de algo que estavam pouco acostumados a fazer nesta Copa América: ter de correr atrás do prejuízo – só saíram perdendo contra Brasil e Venezuela, na primeira fase (aliás, em nenhum jogo o Paraguai saiu na frente).

O técnico uruguaio Oscar Tabárez fez jus ao apelido de maestro, e mandou a Celeste para o ataque, de modo a abrir o placar o mais rápido possível. Deu certo, e poderia ter sido ainda mais cedo, se o árbitro brasileiro Sálvio Spinola tivesse marcado o pênalti cometido por Ortigoza, que com o braço impediu o primeiro gol uruguaio antes dos 5 minutos de jogo. À frente no placar, o Uruguai controlou a partida com tranquilidade, sendo raramente ameaçado pelo Paraguai. E ao invés de se preocupar apenas em segurar o resultado, continuou buscando o gol e demonstrando garra. Chegou ao 3 a 0 com dois de Forlán, mas poderia ter sido mais.

Por falar em garra, vejo nesta grande conquista uruguaia (que também faz da Celeste Olímpica a maior vencedora da Copa América, com 15 títulos) uma lição para o Grêmio. Nos últimos tempos, muitos torcedores (e mesmo dirigentes) passaram a achar que “ter garra” era apenas dar pontapé. Como bem lembra Eduardo Galeano:

No futebol uruguaio, a violência foi filha da decadência. Antes, a garra charrua era o nome da valentia, e não dos pontapés. No Mundial de 50, sem ir mais longe, na célebre final do Maracanã, o Brasil cometeu o dobro de faltas que o Uruguai. (Eduardo Galeano. Futebol ao Sol e à Sombra. Porto Alegre: L&PM, 2002, p. 206.)

Repararam na semelhança com o que aconteceu com o Grêmio? A garra que tinha aquele Grêmio dos anos 90 não era “violência”, embora a mídia do eixo Rio-São Paulo tanto batesse nessa tecla, provavelmente por inveja de tantas conquistas gremistas. (Inclusive, lembro que em novembro de 1996 a revista Placar publicou o resultado de pesquisa que elegeu o jogador mais violento do Campeonato Brasileiro daquele ano, com base nos votos dos próprios atletas que disputavam a competição: apesar de Dinho ter ficado em 2º lugar – mesmo sem ter sido expulso nenhuma vez naquele campeonato -, os outros sete jogadores que ficaram entre os oito primeiros eram de Corinthians, Flamengo e Vasco; e o mais votado foi o volante Mancuso, do Flamengo – time cujos jogadores receberam o maior número de votos, ou seja, foi o “campeão da pancadaria”).

Tabárez fez mais uma jogada de maestro ao fazer o Uruguai praticar o “jogo limpo”: a Celeste, além de ser campeã, também recebeu o prêmio de fair play da Copa América 2011. O que não significou o abandono da garra, até mesmo quando o time estava à frente no placar: contra o Paraguai, mesmo quando venciam por 2 a 0, os uruguaios não deixaram de disputar a posse de bola. (Aliás, nesse Uruguai campeão até Suárez e Forlán têm de brigar pela bola, marcar o adversário… Lembram que Renato Portaluppi disse que “craque não precisa marcar”, para “justificar” a displicência de Douglas?)

Era algo assim que o Grêmio praticava nos anos 90. E por isso era tão vencedor: embora às vezes seja necessário parar o jogo com algumas faltas, cometê-las em excesso resulta em mais chances de gol para o adversário. Ou seja, só “dando porrada” pode-se até ganhar jogos, mas dificilmente contra times de grande qualidade, principalmente fora de casa. E aí é difícil ser campeão de algo realmente importante.

Democracia nunca é demais

Reparem só na declaração do presidente do Grêmio, Paulo Odone: (Os grifos são meus.)

Ladrão é pouco. Nunca ouvi coisas como tenho escutado. O sujeito pega e te agride mesmo usando as redes sociais. Tem esta falta de censura. Não estamos amadurecidos para este porre de democracia. A internet é muito boa. É um instrumento que permite até derrubar ditaduras, mas ao mesmo tempo as pessoas perdem os limites – disse o presidente.

Impressão minha, ou o presidente gremista sente falta de uma repressãozinha? Foi esse papo furado de que “o povo não estava amadurecido para a democracia” que jogou o Brasil nas trevas da ditadura militar por longos 21 anos (além dos cinco de José Sarney, eleito indiretamente).

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Uma dica para ti, Odone: se queres parar de ouvir críticas e mesmo ofensas nas redes sociais, trata de fazer algo realmente bom pelo Grêmio, ao invés de rotular os críticos de “falsos gremistas” ou de dizer que “torcem contra” por “interesses políticos”.

Tu não gostas de ser ofendido, e te compreendo totalmente (afinal, quem gosta de ser ofendido?). Ofensa pessoal é algo que condeno. Mas se não consegues suportar críticas ao teu desempenho como presidente do Grêmio (o que é bem diferente de atacar a honra de tua pessoa), renuncia e abre espaço para outras pessoas fazerem algo pelo clube.