Para a humanidade ser menos arrogante

Em 10 de abril de 1912, o Titanic partiu para sua viagem inaugural. Maior transatlântico construído até então, era considerado “inafundável”.

Menos de cinco dias depois, um iceberg afundou o navio “inafundável” e matou 1.514 pessoas. Era um sinal de que, por mais que a humanidade “progrida”, a natureza sempre está um passo à frente.

Ainda assim, acreditamos que podemos “domar” a natureza. A única maneira dela nos lembrar que não temos tal capacidade é mandando sinais que muitas vezes são destrutivos, como tempestades, terremotos… E também corpos celestes como o meteorito que caiu sexta-feira em Cheliabinsk, na Rússia, e feriu mais de mil pessoas.

O mais interessante foi a coincidência: no mesmo dia da queda do meteorito, um asteroide três vezes maior passou a apenas 28 mil quilômetros da superfície terrestre – para se ter uma ideia, a distância que separa o planeta da Lua é de 384 mil quilômetros. Caso ele se chocasse com a Terra, provocaria uma grande devastação, muito maior do que os danos registrados na Rússia.

A queda do meteorito na última sexta-feira foi o maior acontecimento do tipo desde o Evento de Tunguska, em 1908, quando um corpo celeste (não se sabe se foi um meteorito, um asteroide ou um pedaço de um cometa) caiu na Sibéria e devastou uma enorme área. E demonstra o quão vulneráveis somos: mesmo que seja possível calcular a trajetória de asteroides, ainda não sabemos o que fazer caso um deles entre em rota de colisão com a Terra. Sem contar os corpos menores como o meteorito de sexta, que geralmente são desconhecidos, chegam ao planeta “sem avisar” e ainda causam estragos.

Ou seja: nos achamos os donos do mundo, mas somos apenas uma espécie a mais, e que a natureza pode muito bem eliminar. Talvez acabemos do mesmo jeito que os dinossauros, basta que o asteroide chegue antes de nós mesmos transformarmos a Terra num lugar inabitável.

Hora da solidariedade

O vídeo abaixo é do momento em que um avião da TAM sobrevoava Itajaí, antes de pousar no aeroporto de Navegantes, na última segunda-feira (24 de novembro). Mostra bem as dimensões do desastre que assola Santa Catarina:

Quinta-feira à noite, enchi dois sacolões com roupas que estavam literalmente deixadas de lado no meu roupeiro para a minha mãe levar para o serviço dela, onde fizeram uma campanha por doações para os flagelados. Li no blog do Hélio Paz que a família dele fez doação de roupas e calçados em grande volume.

Há várias possibilidades de se ajudar: seja doando roupas, alimentos (de preferência prontos para consumo, visto que muitas pessoas nem têm água potável para cozinhar), ou mesmo depositando dinheiro, mesmo que pouco, nas contas abertas pela Defesa Civil/SC. É um pequeno gesto de solidariedade, mas se todo mundo colaborar, será de grande valia.

Importante aviso: há notícias de e-mails com números falsos de contas para depósito de doações, que não são da Defesa Civil/SC – o dinheiro depositado nelas acabará no bolso de espertalhões que querem lucrar com a tragédia. As contas oficiais encontram-se neste endereço.

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Mas, antes de culpar apenas a natureza pela calamidade em Santa Catarina, dê uma lida na postagem do Guilherme Floriani, engenheiro florestal que reside em Lages. A tragédia é na verdade uma resposta da natureza contra as barbaridades feitas pelo bicho homem.

Uma lição para a humanidade aprender logo

Vale a pena ler o ótimo texto lá no Moldura Digital sobre o acontecido com a civilização de Rapa Nui (conhecida pelo nome ocidental “Ilha de Páscoa”), que ergueu os famosos Moai e quando foi “descoberta” pelos europeus, estava em vias de desaparecer devido à superexploração dos recursos naturais da ilha.

Ainda temos chance de evitar que a história se repita, desta vez em escala global. Mas não podemos esperar muito tempo.