Afinal, quando o GRÊMIO terá uma camisa oficial que lembre o GRÊMIO?

Em 2005, a Puma passou a ser fornecedora de material esportivo do Grêmio. Seu primeiro modelo de camisa agradou à maioria dos torcedores, por ser relativamente próximo ao tradicional – camisa tricolor, sem invenções e com equilíbrio entre azul e preto, as cores que predominam no manto sagrado gremista (além do branco, nas listras mais estreitas).

A primeira invenção que desagradou a muitos gremistas – inclusive a este que vos escreve – foi a camisa de 2006. A camisa tricolor tinha uma manga azul e outra preta – bizarrice que se acentuava quando o Grêmio vestia mangas longas.

O modelo de 2007 foi melhor – ou, para ser mais exato, menos pior. Acabaram-se as mangas de cores diferentes, mas as listras azuis ficaram mais largas que as pretas (o que se repetirá em 2010, mas falo disso adiante). As duas mangas passaram a ser azuis.

A camisa de 2008 seria a melhor de todas as da Puma, não fosse por um detalhe. As listras azuis e pretas tinham praticamente a mesma largura e também preenchiam as mangas – modelo que lembrava as camisas tradicionais. Porém, o padrão listrado era interrompido nas costas, abaixo do número, em que o tecido era todo azul. Quase imperceptível quando os jogadores colocam a camisa para dentro do calção, é verdade; mas muitas vezes eles preferem deixar a camisa para fora, e os torcedores também costumam fazer o mesmo. Assim, o modelo 2008 não supera 2005.

O ano de 2009 foi marcado por três modelos: dois especiais para a Libertadores, e o terceiro para o Campeonato Brasileiro. A camisa tricolor para a disputa da Libertadores foi uma das mais bonitas que o Grêmio teve nos últimos anos: o único porém foram os diferentes tons de azul adotados para a camisa e o distintivo gremista; ainda assim, “passou”. O uniforme número 2 para La Copa também agradou, com uma camisa de listras azuis e brancas na horizontal, inspirada no uniforme de Los Pumas, a Seleção Argentina de Rugby. Já a tricolor do Brasileirão foi uma das mais criticadas dos últimos anos, devido ao “babador” que apresentava – aquela parte azul próxima à gola, que interrompia o padrão listrado do restante da camisa.

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Quando se anunciou que a camisa de 2010 seria inspirada naquela inesquecível de 1995, a torcida ficou esperançosa de que, enfim, o Grêmio teria uma camisa com cara de… Grêmio. A direção inclusive vendeu algumas camisas “no escuro”, sabendo que, se ela lembraria o glorioso ano de 1995, muitos não temeriam comprá-la sem vê-la.

Porém, não foi isso que se viu ontem, quando os novos uniformes foram lançados. A nova camisa até que não é feia, mas sequer lembra um clube que é conhecido como o Tricolor dos Pampas.

A frente tem apenas duas listras azuis e uma preta, que fica no meio (a camisa de 2003, o fatídico ano do centenário, também tinha uma listra preta no meio, mas não era a única), padrão que se repete nas costas – com interrupção no espaço em que fica o número (a propósito, é algo importante a dizer: gostei da fonte do número, sem aquele estilo “quadriculado” dos modelos de 2008 e 2009 do “babador”). Como as listras brancas (que sempre são menores) ficaram por demais estreitas, de longe chega a parecer que se trata de uma camisa bicolor.

Do jeito que vai, as camisas do Grêmio feitas pela Puma que mais venderão serão justamente as réplicas de modelos anteriores, todos originalmente de outras fornecedoras…

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Entendo que a Puma crie “padrões” de camisas utilizados com vários clubes e seleções que a tem como fornecedora de material esportivo. É direito da empresa.

Porém, as “invenções” deveriam se restringir ao uniforme nº 2 ou nº 3. A camisa principal, TRICOLOR, tem de ser, como nós torcedores costumamos dizer, “o manto sagrado”: qualquer invenção que a descaracterize deveria ser proibida pelo estatuto do Grêmio.

E, para se ter uma ideia, das sete camisas Tricolores feitas pela Puma (no post do Bruno Coelho no Grêmio 1903 tem uma linha do tempo Puma/Grêmio), nenhuma é igual a outra. Tanto no design como nos tons de azul. Apesar do modelo 2010 não ser o pior (as mangas diferentes de 2006 e o “babador” de 2009 são insuperáveis), está muito longe de ser uma camisa com a cara do Grêmio (não é só o Autuori que não a tem…).

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Atualização: só depois de ter o texto pronto, li o que escreveu o Hélio Paz sobre as novas camisas, e recomendo a leitura.