Palpites e esperanças

Faltando menos de 24 horas para a última e decisiva rodada do Brasileirão 2008, publico o que é meu palpite e também esperança de classificação final do campeonato.

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Claro que acredito no Grêmio. É difícil: precisa vencer e torcer por derrota do São Paulo. Ou seja: há nove possibilidades distintas de combinação de resultados dos jogos Grêmio x Atlético-MG e Goiás x São Paulo, e somente uma interessa ao Tricolor gaúcho.

As vagas na Libertadores acredito que já são dos times que estão no G-4 antes mesmo da rodada começar: além de Grêmio e São Paulo, se classificam Palmeiras e Cruzeiro. Afinal, o Flamengo terá de jogar na Baixada contra o Atlético-PR, que briga contra o rebaixamento.

Acho que dá empate nesse jogo, resultado bom para o Vasco. Só que o Náutico e o Figueirense ganham de Santos e Inter respectivamente, condenando o clube de São Januário à Série B, infelizmente. Digo isso porque, embora muitos estejam torcendo pela queda do Vasco, o clube carioca não é mais presidido por Eurico Miranda: se cair com Roberto Dinamite na presidência, de nada adiantará dizer que foi “herança maldita” dos tempos do Eurico, já que a torcida, em geral, tem memória curta. E aí, “Euricão” voltará…

Mas, se o Vasco cair, o problema é dele. Eu quero é ver o Grêmio campeão!

É preciso pensar no Galo

Muito se tem falado sobre o jogo Goiás x São Paulo. Alguns jornalistas estão irados pelo fato do clube goiano ter perdido o mando de campo na última rodada do Campeonato Brasileiro, o que pode prejudicar o Grêmio na briga pelo título. E agora estão se achando “os tais”, já que o Grêmio decidiu ir ao STJD para que o Goiás jogue com o São Paulo no Serra Dourada.

Só que, antes de se preocupar com o jogo do Goiás, o Grêmio tem é que fazer o que disse o técnico Celso Roth: pensar no Atlético-MG. Se o Tricolor gaúcho não vencer o Galo, o Goiás pode meter qualquer goleada no São Paulo e mesmo assim o campeão será o Tricolor paulista. O Olímpico terá de estar lotado no próximo domingo.

Sem contar que, como foi dito no post do dia 24 de novembro (quando eu considerava tudo perdido), se o Grêmio não for campeão, não será por causa da perda do mando de campo do Goiás, ou culpa da derrota para o Vitória no dia 23.

26 de novembro

Há três anos, em 26 de novembro de 2005, aconteceu a Batalha dos Aflitos. O Grêmio, com apenas sete jogadores em campo, venceu o Náutico (que tinha três homens a mais, além da torcida a favor) e o árbitro Djalma Beltrami. 1 a 0, golaço de Andershow, após o goleiro Galatto defender um pênalti roubado. Vitória inacreditável, depois de parecer que tudo estava perdido*. Logo após aquela jornada memorável, meu amigo Diego, que viu o jogo em minha casa, disse: “O Grêmio hoje me deu não uma, mas duas lições de vida. Primeiro, que tudo é difícil. Segundo, que nada é impossível!”.

Três anos depois daquele dia, o Cão Uivador acaba de chegar à marca dos mil comentários. E o autor do milésimo, em um 26 de novembro, só podia ser gremista, né? Foi o Jorge Vieira (leitor assíduo do Cão desde o ano passado), em resposta aos comentários do colorado Jorge Nogueira à postagem de segunda-feira.

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* Como hoje é 26 de novembro, dia do inacreditável, não custa nada lembrar que o Fluminense ainda não está livre do rebaixamento, e pode atrapalhar a vida do São Paulo… E o Goiás não tem nada que entregar o jogo na última rodada: se o Inter entregou ano passado, azar é dele.

Foi bom enquanto durou

No dia 11 de maio, comentei que “o Grêmio está de chorar, mas ganhou!”. Referência à vitória sobre o São Paulo, no Morumbi, no dia anterior, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Afinal, o time vinha de duas eliminações consecutivas, em pleno Olímpico: em 6 de abril fora eliminado do Campeonato Gaúcho pela ex-filial Juventude ao perder por 3 a 2 um jogo que podia empatar, e no dia 9 fora despachado da Copa do Brasil nos pênaltis pelo Atlético-GO. Tais fatos, somados a um período ruim de treinamentos para o Brasileirão, faziam a torcida temer (e os colorados sonharem) que o Grêmio se limitaria a lutar pela permanência na Série A.

Mas, ao contrário do que se esperava, o Tricolor fez um excelente campeonato. Nem o gremista mais otimista imaginava que o time brigaria pelo título até a antepenúltima rodada. Claro que ficou perceptível que o Grêmio não tinha um grupo em condições de ser campeão, e também que o campeonato não foi perdido ontem, contra o Vitória. Ainda mais se considerarmos que o virtual tricampeão São Paulo perdeu seis pontos para o Grêmio – três no já citado jogo de maio, e mais três aqui em Porto Alegre.

O Grêmio deixou de ser campeão naqueles jogos em que que os três pontos eram quase certos, mas não vieram:

  • Vasco 2 x 1 Grêmio: lá no começo do campeonato, lembro de ter comentado que os três pontos perdidos nesse jogo poderiam fazer falta no final;
  • Náutico 1 x 1 Grêmio: o empate no último segundo do jogo fez lembrar a Batalha dos Aflitos, mas a vitória era obrigação, ainda mais contra um adversário que luta contra o rebaixamento;
  • Grêmio 1 x 2 Goiás: o Tricolor terminou o primeiro tempo ganhando e acabou perdendo de virada;
  • Atlético-PR 0 x 0 Grêmio: desta vez, a vitória poderia ter vindo se um pênalti claro para o Grêmio ao final do jogo tivesse sido marcado;
  • Portuguesa 2 x 0 Grêmio: foi literalmente um jogo de dar sono, cheguei a cochilar durante o primeiro tempo;
  • Grêmio 1 x 1 Figueirense: um dos piores jogos que já assisti no Olímpico.

Nestes jogos, o Grêmio perdeu nada menos do que 15 pontos. O que quer dizer que o time poderia estar com o título garantido há várias rodadas, e mesmo perdendo para o Vitória ontem teria 81 pontos, 10 a mais do que o São Paulo, que tem 71.

Reta final do Brasileirão 2008 – façam suas apostas!

Na página do Globo Esporte tem um simulador de resultados das últimas rodadas do Campeonato Brasileiro de 2008. Procurei fazer uma simulação o mais imparcial possível – digo isso porque é óbvio que tem certos resultados que, mais do que “prever”, na verdade eu torço para que aconteçam.

Sim, acredito no Grêmio. Acredito em três vitórias nos últimos três jogos (Vitória e Ipatinga fora, e Atlético-MG no Olímpico), e em pelo menos um tropeço do São Paulo – contra o Vasco, no próximo domingo em São Januário. O time carioca precisa vencer para sair da zona de rebaixamento, e ainda por cima é treinado pelo ídolo-mor gremista Renato Portaluppi, que certamente fará de tudo para ajudar o Grêmio. Acho que o São Paulo ganha do Fluminense no Morumbi, e na última rodada vence ou empata com o Goiás no Serra Dourada.

Veja agora como ficará a classificação final do Brasileirão caso eu seja vidente (tendencioso pró-Grêmio, é claro):

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Touca

Se a “touca” do Inter é o Juventude, a do Grêmio é, definitivamente, o Estádio Serra Dourada em Goiânia. A última vitória gremista por lá foi em um amistoso contra o Vila Nova em 1997; em se tratando de jogos oficiais, a última vez que o Grêmio saiu vitorioso de lá foi em 5 de dezembro de 1996, quando derrotou o Goiás por 3 a 1, na primeira partida da semifinal do Campeonato Brasileiro que seria vencido pelo Tricolor. Desde então, no máximo o que o Grêmio conseguiu no Serra Dourada foram empates. E em quatro oportunidades, acabou goleado pelo Goiás.

Ontem o adversário era o Atlético-GO, atual campeão goiano. Em termos de qualidade, o time não é muito diferente do Grêmio. E, como jogava no Serra Dourada, venceu. O Tricolor começou o jogo melhor, mas quando o Atlético teve sua primeira chance de gol, em um contra-ataque, marcou. Dali em diante, o Grêmio passou a jogar mal, de uma forma até irritante.

O futebol ruim continuou no segundo tempo, quando o Atlético chegou ao 2 a 0. Algo que não dava para entender era o porquê das cobranças rasteiras de escanteios: o time insistia nisso, assim os zagueiros subiam para cabecear uma bola que nunca chegava e o adversário levava mais perigo nos contra-ataques, com a defesa gremista desarrumada. Menos mal que no final o Grêmio descontou com Roger, e assim basta uma vitória de 1 a 0 quarta que vem.

Mas isto comprova o que eu já tinha lido no Alma da Geral: não dá para usar o Gauchão como parâmetro para a qualidade do time. O estadual deste ano está muito ruim, o Grêmio sobrou na primeira fase por isso. E foi só pegar um time melhor do que o Jaciara e os adversários no Gauchão para o Tricolor patinar.

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E por falar em “maldição do Serra Dourada”, foi com Celso Roth, em 2000, que o Grêmio conseguiu a façanha de abrir 2 a 0 no Goiás, se retrancar todo e deixar o adversário empatar o jogo.

Celso Roth, de novo, no Grêmio

Nas duas vezes que assumiu o Grêmio (1998 e 2000), Celso Roth tirou o time da lanterna e levou às finais do Brasileiro. Mas foi um retrancão… A ponto de estar vencendo por 2 a 0 o Goiás em pleno Serra Dourada, retrancar-se ainda mais e deixar o adversário empatar.

Mas, para explicar a demissão de Vagner Mancini, há duas hipóteses.

Primeiro, que a direção gremista apostou em Mancini e decidiu mandá-lo embora devido às más atuações fora de casa e, principalmente, contra o Jaciara. Ou seja: uma total falta de convicção, já que estamos recém em fevereiro – ou seja, o time ainda está em fase de montagem -, o Grêmio faz boa campanha no Gauchão e, pasmem, não perdeu nenhum jogo! Sem contar que treinadores que deram muito certo no Grêmio – como Felipão, Tite e Mano Menezes – começaram mal, mas tiveram tempo para trabalhar e entrarem para a história do clube.

Mas não creio que seja por questões técnicas. Só pode ser desentendimento entre treinador e direção. Esses dias, Vagner Mancini disse em entrevista que não aceita intromissões de dirigentes em seu trabalho – em referência ao acontecido no Vasco, onde Romário pediu demissão por não aceitar que Eurico Miranda se metesse na escalação do time. Certamente as palavras de Mancini não agradaram aos dirigentes gremistas, que esperaram aparecer a primeira oportunidade para poder mandar embora o técnico. Sem contar que não é a primeira vez que algo assim acontece no Grêmio: em 1993, Cassiá ia bem no comando do time, mas se desentendeu com o Cacalo (então vice de futebol) e foi demitido. Pelo menos depois veio o Felipão…

Agora, é esperar para ver se Roth se sairá bem ao assumir o Grêmio num momento “não-crítico”. Pois não há crise alguma no clube agora, diferentemente de 1998 e 2000. Bom, a não ser que a imprensa crie uma, vide episódio das “ovelhinhas” de 2003, que se tornou crise graças à Zero Hora – e a partir dali o Grêmio desandou.

Um jogo “histórico”

Eu mantenho atualizada uma lista de todos os jogos do Grêmio que fui. Além disso, também tenho as estatísticas, de quantos jogos por ano, quantas vitórias, quantos gols o Grêmio fez etc.

Porém, tinha esquecido de atualizar as tabelas após Grêmio x Goiás, jogo que aconteceu no sábado passado, 13 de outubro. Só agora que lembrei e percebi o quão importante foi aquela partida – pelo menos para mim.

Primeiro fato “histórico”: foi a primeira vez que fui a uma vitória do Grêmio sobre o Goiás, esta touca desgraçada! Ano passado o Grêmio ganhou no Olímpico, mas o jogo era numa quinta-feira de noite e eu tinha aula, assim não pude ir.

Segundo fato “histórico”: a testada de Pereira que empatou o jogo foi simplesmente o 400º gol dos jogos do Grêmio em que estive presente. No total, foram marcados 401 gols nas partidas que assisti no Olímpico: 263 do Grêmio, e 138 dos adversários.

Em 147 jogos que eu fui, o Grêmio venceu 84, empatou 36 e perdeu 27.

O primeiro foi em 16 de setembro de 1995, derrota de 3 a 2 para o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro. Dos cinco gols daquele jogo, três foram de artilheiraços: Túlio fez dois para o alvinegro carioca, e Jardel descontou para o Grêmio.

Ranking

A Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) divulgou seu ranking atualizado, referente ao período de 1º de setembro de 2006 a 31 de agosto de 2007.

Grêmio na frente do Inter. Nada como ver as coisas voltarem a seu lugar…

Os 5 primeiros colocados são:

  1. Sevilla (Espanha)
  2. Chelsea (Inglaterra)
  3. Santos (Brasil)
  4. Boca Juniors (Argentina)
  5. Manchester United (Inglaterra)

Dentre os clubes brasileiros, além do Santos, aparecem São Paulo (17º), Grêmio (35º), Inter (40º), Flamengo (43º), Paraná (49º), Atlético-PR (57º), Fluminense e Botafogo¹ (ambos empatados em 65º), Figueirense (84º), Corinthians (95º), Cruzeiro (109º), Vasco (124º), Goiás (141º) e Palmeiras (266º).

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¹ Na postagem de ontem, que dediquei à minha amiga botafoguense Flavia, ela deixou um comentário dizendo que o Botafogo continua na frente do Grêmio. Por enquanto, continua na frente na classificação do Brasileirão, mas no ranking