Grêmio praticamente fora da Libertadores 2012. Que bom!

Foi constrangedora a atuação do Grêmio ontem. Levou só 3 a 1 do Figueirense em pleno Olímpico, e com isso, é muito improvável que consiga disputar a Libertadores de 2012.

Sabem de uma coisa? Isso é ótimo!

Obviamente não estou contente com a derrota, ainda mais do jeito que ela veio: beirando a humilhação. Mas de tudo se pode tirar uma lição, o que é algo positivo. E neste caso, ela é a de que é insanidade acreditar em vaga na Libertadores do próximo ano. Ficou claro que o objetivo do Grêmio no Campeonato Brasileiro está praticamente garantido: a permanência na Série A. (Até porque ir à Sul-Americana é fácil demais, é quase a mesma coisa que escapar do rebaixamento, dado o exagerado número de vagas para o Brasil.)

Eu quero que o Grêmio dispute a Libertadores para ganhá-la, e não apenas para fazer figuração – opinião que compartilho com o Igor Natusch. E para isso é preciso planejamento a médio e longo prazo, o que tem sido raridade nos últimos tempos em se tratando do Tricolor.

Na atual situação financeira do Grêmio, o melhor é começar “comendo pelas beiradas”, como somos sempre ensinados quando crianças. É fato que o clube precisa voltar a ganhar um título além de Gauchão e Série B, e quebrar a escrita de 10 anos sem conquistas de verdade, mas querer logo a Libertadores é sonhar alto demais neste momento.

Por que não se dedicar a ganhar a Copa do Brasil (que foi justamente a última conquista de verdade do Grêmio)? Ela não demanda um plantel tão caro quanto um Campeonato Brasileiro, é um bom atalho para a Libertadores (sempre ela…) e, melhor ainda, termina no meio do ano. Sobra assim bastante tempo para buscar jogadores bons e baratos e, desta forma, montar um time em condições de conquistar La Copa sem precisar de muitos recursos financeiros.

Mas, é óbvio não irei torcer contra o Grêmio, mesmo que ele corra o risco de se classificar para a Libertadores do ano que vem e, assim, de não poder disputar a Copa do Brasil. Quero que ganhe os próximos jogos, para assim garantir matematicamente a fuga do rebaixamento – e provavelmente uma vaga na Copa Sul-Americana – e, principalmente, que anule Ronaldinho na partida do próximo dia 30 contra o Flamengo (se é que o ex-gremista terá coragem de vir ao Olímpico).

Mas assim que realmente não houver mais nenhum risco, que se ponha a gurizada a jogar e já se comece a buscar jogadores (e também um treinador, já que Celso Roth tem, sim, prazo de validade) para 2012, de modo a que o último ano do Olímpico Monumental não seja tão melancólico quanto o penúltimo.

A maior tradição do futebol brasileiro

Engana-se quem pensa que vou falar de “futebol-arte” e coisa parecida. Pois isso nem é exclusividade do Brasil: se o que Maradona jogava (e agora Messi joga) não se encaixa nesse conceito de “arte” do qual falam tantos opinistas, não sei mais o que é “futebol bonito”.

A maior tradição do futebol brasileiro chama-se politicagem. Nisso sim, somos inigualáveis. Tanto que, depois de relativa calma nos últimos anos, os clubes trataram de lembrar “os velhos tempos”, com o racha no Clube dos 13 e a possibilidade de acertos em separado com duas emissoras de televisão para a transmissão do Campeonato Brasileiro de 2012 (fim do mundo?) em diante. (E o Grêmio vai negociar diretamente com a Globo, ou seja, provavelmente ainda teremos por um bom tempo os jogos no maldito horário das 21h50min, sem contar que se manterá o monopólio “global”; e além de tudo, isso poderá ser muito prejudicial ao Tricolor, com clubes do eixo Rio-São Paulo recebendo mais que o Grêmio numa proporção muito superior à da atualidade.)

Continuar lendo

Cão no Olímpico em 2008

Ano passado, publiquei as “estatísticas” de minhas idas ao Estádio Olímpico Monumental para ver o Grêmio jogar. Aquela vez, eu já havia ido a 147 jogos, com 84 vitórias, 36 empates e 27 derrotas. Haviam sido marcados 401 gols: 263 do Grêmio e 138 dos adversários.

Agora, atualizo a publicação da estatística. Terminei 2007 com 16 jogos: 10 vitórias, 3 empates e 3 derrotas; 31 gols do Grêmio e 15 dos adversários.

Já em 2008, estive 17 vezes no Olímpico. Foram 13 vitórias gremistas, 3 empates e apenas uma derrota. O Tricolor fez 35 gols e sofreu apenas 10 – “melhor defesa anual” que já assisti no estádio, média de 0,59 por partida.

Fui aos seguintes jogos no ano que se acaba:

  1. Grêmio 2 x 0 Novo Hamburgo (Gauchão, 9 de fevereiro);
  2. Grêmio 6 x 0 Jaciara (Copa do Brasil, 27 de fevereiro);
  3. Grêmio 4 x 0 Ulbra (Gauchão, 1º de março);
  4. Grêmio 2 x 3 Juventude (Gauchão, 6 de abril);
  5. Grêmio 3 x 0 Atlético-PR (Brasileirão, 22 de junho);
  6. Grêmio 1 x 1 Inter (Brasileirão, 29 de junho);
  7. Grêmio 2 x 1 Portuguesa (Brasileirão, 13 de julho);
  8. Grêmio 1 x 0 Cruzeiro (Brasileirão, 19 de julho);
  9. Grêmio 1 x 1 Palmeiras (Brasileirão, 27 de julho);
  10. Grêmio 2 x 0 Vitória (Brasileirão, 3 de agosto);
  11. Grêmio 1 x 0 São Paulo (Brasileirão, 17 de agosto);
  12. Grêmio 2 x 1 Vasco (Brasileirão, 31 de agosto);
  13. Grêmio 2 x 1 Botafogo (Brasileirão, 4 de outubro);
  14. Grêmio 1 x 0 Sport (Brasileirão, 23 de outubro);
  15. Grêmio 1 x 1 Figueirense (Brasileirão, 2 de novembro);
  16. Grêmio 2 x 1 Coritiba (Brasileirão, 16 de novembro);
  17. Grêmio 2 x 0 Atlético-MG (Brasileirão, 7 de dezembro).

Não fui aos dois primeiros jogos do ano no Olímpico (pelo Gauchão, dias 19 e 26 de janeiro contra 15 de Novembro e Santa Cruz, respectivamente) ora por ter compromisso, ora por não estar em Porto Alegre. Mas pelo Gauchão, confesso que não costumo ser muito assíduo, dada a qualidade dos jogos.

Após a eliminação do Gauchão passei dois meses sem ir ao estádio. Não foi por revolta contra o time. No dia 9 de abril (eliminação da Copa do Brasil contra o Atlético-GO), eu tinha aula. Em 18 de maio optei por ir à Redenção (e me arrependi profundamente disso, por motivos “extra-campo”) ao invés de ver o Grêmio empatar em 0 a 0 com o Flamengo, pelo Brasileirão. No sábado seguinte, 24 de maio, não assisti à vitória de 2 a 0 sobre o Náutico para ir a um aniversário. No dia 8 de junho (Grêmio 2 x 1 Fluminense) o tempo estava muito úmido (já chovera bastante pela manhã) e eu estava com um forte resfriado.

Dali em diante, faltei a poucos jogos. Em três deles (Grêmio 1 x 0 Ipatinga, dia 6 de agosto; o Gre-Nal da Sul-Americana que acabou empatado em 2 a 2 no dia 28 de agosto; e Grêmio 2 x 0 Santos, em 8 de outubro) eu tinha aula no mesmo horário. No dia 13 de setembro (única derrota do Grêmio em casa pelo Brasileirão, 2 a 1 para o Goiás), eu tinha um aniversário para ir.

No total, já fui 167 vezes ao Olímpico. Foram 98 vitórias do Grêmio, 40 empates e 29 derrotas. Foram marcados 458 gols: 304 do Tricolor e 154 dos adversários.

Palpites e esperanças

Faltando menos de 24 horas para a última e decisiva rodada do Brasileirão 2008, publico o que é meu palpite e também esperança de classificação final do campeonato.

brasileirao08simulacaofinal

Claro que acredito no Grêmio. É difícil: precisa vencer e torcer por derrota do São Paulo. Ou seja: há nove possibilidades distintas de combinação de resultados dos jogos Grêmio x Atlético-MG e Goiás x São Paulo, e somente uma interessa ao Tricolor gaúcho.

As vagas na Libertadores acredito que já são dos times que estão no G-4 antes mesmo da rodada começar: além de Grêmio e São Paulo, se classificam Palmeiras e Cruzeiro. Afinal, o Flamengo terá de jogar na Baixada contra o Atlético-PR, que briga contra o rebaixamento.

Acho que dá empate nesse jogo, resultado bom para o Vasco. Só que o Náutico e o Figueirense ganham de Santos e Inter respectivamente, condenando o clube de São Januário à Série B, infelizmente. Digo isso porque, embora muitos estejam torcendo pela queda do Vasco, o clube carioca não é mais presidido por Eurico Miranda: se cair com Roberto Dinamite na presidência, de nada adiantará dizer que foi “herança maldita” dos tempos do Eurico, já que a torcida, em geral, tem memória curta. E aí, “Euricão” voltará…

Mas, se o Vasco cair, o problema é dele. Eu quero é ver o Grêmio campeão!

Foi bom enquanto durou

No dia 11 de maio, comentei que “o Grêmio está de chorar, mas ganhou!”. Referência à vitória sobre o São Paulo, no Morumbi, no dia anterior, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Afinal, o time vinha de duas eliminações consecutivas, em pleno Olímpico: em 6 de abril fora eliminado do Campeonato Gaúcho pela ex-filial Juventude ao perder por 3 a 2 um jogo que podia empatar, e no dia 9 fora despachado da Copa do Brasil nos pênaltis pelo Atlético-GO. Tais fatos, somados a um período ruim de treinamentos para o Brasileirão, faziam a torcida temer (e os colorados sonharem) que o Grêmio se limitaria a lutar pela permanência na Série A.

Mas, ao contrário do que se esperava, o Tricolor fez um excelente campeonato. Nem o gremista mais otimista imaginava que o time brigaria pelo título até a antepenúltima rodada. Claro que ficou perceptível que o Grêmio não tinha um grupo em condições de ser campeão, e também que o campeonato não foi perdido ontem, contra o Vitória. Ainda mais se considerarmos que o virtual tricampeão São Paulo perdeu seis pontos para o Grêmio – três no já citado jogo de maio, e mais três aqui em Porto Alegre.

O Grêmio deixou de ser campeão naqueles jogos em que que os três pontos eram quase certos, mas não vieram:

  • Vasco 2 x 1 Grêmio: lá no começo do campeonato, lembro de ter comentado que os três pontos perdidos nesse jogo poderiam fazer falta no final;
  • Náutico 1 x 1 Grêmio: o empate no último segundo do jogo fez lembrar a Batalha dos Aflitos, mas a vitória era obrigação, ainda mais contra um adversário que luta contra o rebaixamento;
  • Grêmio 1 x 2 Goiás: o Tricolor terminou o primeiro tempo ganhando e acabou perdendo de virada;
  • Atlético-PR 0 x 0 Grêmio: desta vez, a vitória poderia ter vindo se um pênalti claro para o Grêmio ao final do jogo tivesse sido marcado;
  • Portuguesa 2 x 0 Grêmio: foi literalmente um jogo de dar sono, cheguei a cochilar durante o primeiro tempo;
  • Grêmio 1 x 1 Figueirense: um dos piores jogos que já assisti no Olímpico.

Nestes jogos, o Grêmio perdeu nada menos do que 15 pontos. O que quer dizer que o time poderia estar com o título garantido há várias rodadas, e mesmo perdendo para o Vitória ontem teria 81 pontos, 10 a mais do que o São Paulo, que tem 71.

Acreditem se quiser

Mas a arrasadora goleada de 7 a 1 do Grêmio sobre o Figueirense não é a maior do técnico Celso Roth.

Terminou o jogo e pensei nisso. Mas logo depois, lembrei de um jogo acontecido em 1999. No dia 14 de abril, pelo Campeonato Gaúcho, o Tricolor massacrou o Lajeadense por 8 a 0, no Estádio Olímpico. O técnico gremista era Celso Roth.

———-

Mas que coisa boa, estou queimando minha língua: Grêmio líder do Brasileirão! Até quando? Pois não me iludo: o Tricolor não tem grupo para ser campeão.

Bom… Espero queimar minha língua de novo!

Conta outra, Botafogo!

Teve grande destaque na mídia esportiva a final da Taça Guanabara (1º turno do Campeonato Carioca), na qual o Flamengo bateu o Botafogo de virada por 2 a 1. Os jogadores do time alvi-negro reclamaram muito da arbitragem, e o presidente, Bebeto de Freitas, renunciou. Houve até pedidos para que os botafoguenses deixassem de ir aos jogos do Campeonato Carioca, em protesto contra as “seguidas roubalheiras” das quais o Botafogo seria vítima.

Certamente qualquer botafoguense vai lembrar do “roubo” na semifinal da Copa do Brasil do ano passado, quando o Botafogo teve dois gols anulados contra o Figueirense – que levaram a bandeirinha Ana Paula Oliveira para a “geladeira” – em que um dos lances era tão difícil que dependia unicamente da interpretação da auxiliar, e ela entendeu que havia impedimento.

Mas eles deviam lembrar de outras duas oportunidades em que os árbitros foram muito amigos. Para ser “roubado” na semifinal da Copa do Brasil de 2007 contra o Figueirense, o Botafogo precisou de uma baita mãozinha de Carlos Simon, que não marcou um pênalti claríssimo a favor do Atlético-MG no final do segundo jogo das quartas-de-final, no Maracanã.

Sem contar o maior título da história do clube, o Campeonato Brasileiro de 1995. No segundo jogo da decisão contra o Santos, no Pacaembu, o Botafogo saiu na frente com um gol irregular de Túlio, cujo impedimento não foi assinalado. O gol de empate do Santos também foi irregular, mas o Peixe teve um gol legalíssimo anulado, que lhe daria o título independentemente das cagadas de Márcio Rezende de Freitas.

Portanto, conta outra, Botafogo!

E agora… Já era MESMO?

Depois daquela baita mão que nos deu o Juventude, ao ganhar do Palmeiras em São Paulo, o Tricolor não fez sua parte: 2 a 1 para o Figueirense. E o pior de tudo: o Grêmio mereceu perder.

Ainda é possível chegar à Libertadores, mas agora o Grêmio terá de fazer algo raríssimo: vencer longe do Olímpico. Neste Brasileirão, o Tricolor só venceu Inter, Juventude e Náutico fora de casa. Restam São Paulo e América-RN fora, e o Corinthians no Olímpico.

Vencer o América em Natal é obrigação matemática e também moral: se perder, o Grêmio não merece ir à Libertadores. Contra o São Paulo, seria bom vencer, mas tem de ser otimista demais para acreditar nisso. E na última rodada, o Corinthians, que poderá vir a Porto Alegre jogando sua vida…

Eu ainda acredito. Mas reconheço que ficou muito difícil.

Já era?

O Grêmio tem mais sorte do que juízo.

Depois da derrota para o Atlético-PR e da briga generalizada de ontem – e também de hoje, no aeroporto de Curitiba – o Tricolor ainda teve uma sorte maluca. Nem tanto pela derrota do Cruzeiro: a surpresa foi o resultado de 4 a 1 para o Botafogo, mas que o time mineiro perderia eu tinha certeza, já que entrou numa fase descendente.

Mas o que ninguém esperava era essa vitória do Juventude sobre o Palmeiras em pleno Palestra Itália. O Ju continua com a corda no pescoço, mas deu uma baita mão ao Grêmio – o que vai alimentar especulações coloradas sobre o time de Caxias ser “filial” do Tricolor.

Bom, que o Grêmio trate de aproveitar tanta sorte, e ganhe do Figueirense sábado. A Libertadores ficou mais longe após a derrota de ontem, mas nem tanto.

Ranking

A Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) divulgou seu ranking atualizado, referente ao período de 1º de setembro de 2006 a 31 de agosto de 2007.

Grêmio na frente do Inter. Nada como ver as coisas voltarem a seu lugar…

Os 5 primeiros colocados são:

  1. Sevilla (Espanha)
  2. Chelsea (Inglaterra)
  3. Santos (Brasil)
  4. Boca Juniors (Argentina)
  5. Manchester United (Inglaterra)

Dentre os clubes brasileiros, além do Santos, aparecem São Paulo (17º), Grêmio (35º), Inter (40º), Flamengo (43º), Paraná (49º), Atlético-PR (57º), Fluminense e Botafogo¹ (ambos empatados em 65º), Figueirense (84º), Corinthians (95º), Cruzeiro (109º), Vasco (124º), Goiás (141º) e Palmeiras (266º).

———-

¹ Na postagem de ontem, que dediquei à minha amiga botafoguense Flavia, ela deixou um comentário dizendo que o Botafogo continua na frente do Grêmio. Por enquanto, continua na frente na classificação do Brasileirão, mas no ranking