R$ 92 mensais para ficar atrás do gol: Arena, te vejo pela TV

Sexta-feira, o Grêmio anunciou o “plano de migração” dos sócios, do Olímpico para a Arena. Os associados terão seus direitos garantidos no novo estádio, mas pagando mais caro. Os setores mais “baratos” ficarão atrás da goleira no lado norte: R$ 92 mensais no primeiro e quarto anéis.

É verdade que hoje em dia a mensalidade já está em R$ 86, mas posso ficar em qualquer ponto do anel inferior do Olímpico (para ir no anel superior, onde ficam as cadeiras, é preciso comprar ingresso ou locar cadeira). Na Arena, só atrás do gol, e se for para ficar mais perto do campo, terei de ir na Geral, onde não haverá cadeiras.

Agora, se na Arena eu quiser ficar na mesma posição que no Olímpico, o que acontecerá? Terei de desembolsar entre R$ 220 e R$ 269 todo mês. Valor absurdamente inviável. Para terem uma ideia, não paguei isso de luz nem em fevereiro passado (mês em que mais senti calor na minha vida, o que me fez ligar muitas vezes o ar condicionado).

Apesar de achar abusivos os últimos aumentos nas mensalidades, segui pagando, inclusive este ano, por saber que o Olímpico está com os dias contados. Em 2012, posso ir a todos os jogos por R$ 86 mensais: como em média são quatro partidas como mandante por mês, isto equivale a R$ 21,50 a cada jogo. Some-se a isto as despesas com deslocamento (muitas vezes vou e volto a pé ou de carona) e “com a barriga” (cerveja antes do jogo, água no estádio e vez que outra umas pipocas), e temos um gasto de aproximadamente R$ 28 por partida.

Na Arena, o valor da mensalidade mais barata (R$ 92) dividido pelo número de jogos em cada mês ficará em torno de R$ 23 (para ficar apenas atrás do gol). Não terei mais como ir a pé, assim precisarei pegar ônibus ou trem: só isso já eleva o gasto por partida a quase R$ 30 (se o apito inicial for no estúpido horário das 19h30min durante a semana, talvez seja preciso pegar táxi para chegar a tempo: lá se vão uns R$ 20 só de ida ao estádio). Somemos as “despesas com a barriga”, e gastarei bem mais que R$ 30 por jogo.

Aí penso que, se assistir ao jogo em casa ou mesmo no bar, o gasto já é bem menor. Quando vejo no bar, desembolso em torno de R$ 12 com cerveja e lanche, e acaba sendo este o meu custo com a partida. Com a vantagem de estar bem perto de casa. Ou seja: se fosse pensar somente “com o bolso”, já tinha deixado de pagar as mensalidades e passado a assistir aos jogos no bar. Como já falei, não o faço porque quero curtir o Olímpico o máximo possível em seu último ano. Mas também porque sei que a torcida faz, sim, a diferença quando o Grêmio joga em casa. O Tricolor precisa de nós, assim como nós o amamos e queremos ajudá-lo.

Agora, na Arena, será totalmente diferente – ou, para usar a palavra que está na moda, “diferenciado”. Mais do que um estádio para torcer, é para “dar lucro” – e antes fosse apenas para o Grêmio. Privilegiará aqueles que costumam mais assistir do que torcer; só ver o que acontecia no Olímpico quando o “povão” conseguia frequentá-lo: era o anel inferior (ingressos mais baratos que nas cadeiras do andar de cima) que mais “rugia”, intimidando os adversários. Tanto que quando fui pela primeira vez nas cadeiras, na hora que o árbitro não marcou um pênalti para o Grêmio comecei a gritar o tradicional “feira da fruta” e depois percebi que mais ninguém à minha volta xingava o juiz. E serão estes “quietos” os que ficarão mais perto do campo: cadê o “caldeirão”?

Assim, será não sem dor no coração, que deixarei de ir aos jogos do Grêmio assim que o Olímpico não for mais nossa casa. Passarei a fazer igual ao Natusch: assistirei ao Tricolor no bar (afinal, não deixarei de ser gremista, só não terei condições de frequentar a Arena “padrão FIFA”) e, se tiver vontade de ir a um jogo, os estádios de clubes menores – que ao menos seguirão tendo cara de estádio – serão meu destino.

O futuro dos sonhos de muita gente

No começo da tarde de ontem, assisti na televisão a “O Demolidor” (Demolition Man), produzido em 1993. Trata-se de um filme com muita ação, mas que também é uma amostra do tipo de sociedade que habita os sonhos de nossa elite “iluminada”. (Quem não viu o filme, e não quer ter a menor ideia dele antes de assisti-lo, pare de ler aqui.)

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O tal de “dia sem impostos”

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Segunda-feira, teve venda de “gasolina sem impostos” em um posto de Porto Alegre. Uma enorme fila de carros se formou, em busca da gasolina com “seu verdadeiro preço”.

Verdadeiro? Sim, pois é assim que a elite (que diz não precisar do Estado, mas não hesita em correr para pedir socorro a ele quando a “mão invisível” do mercado se machuca) e sua fiel escudeira classe mérdia pensam. Qualquer imposto é maléfico. Aliás, a classe mérdia acha que a vida dela é um inferno por causa “de tanto imposto”, mesmo que sejam os mais pobres os que, proporcionalmente, paguem mais impostos.

A raiva dos “de cima” se deve ao fato de que eles não precisam de muitos serviços públicos, sustentados pelos impostos, já que podem pagar para que a iniciativa privada lhes forneça o mesmo. Mas, como qualquer cidadão, têm de pagar os tributos – ajudando, assim, a manter os serviços públicos em funcionamento, mesmo não precisando deles.

Pode parecer uma estupidez pagar por algo que não se usa. Será? Pense então, por exemplo, no plano de saúde privado.

Quem gosta de ficar doente? Em sã consciência, ninguém. Mas, o plano de saúde privado serve para combater a enfermidade. Quem paga, gostaria de jamais usar – mas, vez que outra, acaba precisando. Poderia até pensar em não pagar, pois raramente fica doente, é dinheiro que não vale a pena etc. Então, que experimente ficar doente e pagar uma consulta particular…

Mas, e se não há dinheiro nem para o plano de saúde privado? Bom, todos temos direito a um público, graças ao pagamento de impostos: o SUS. O serviço muitas vezes deixa a desejar, pode e precisa melhorar, mas está lá à nossa disposição quando precisarmos dele.

O mundo sem impostos com o qual sonham os “de cima” não teria SUS. Mais: não teria asfalto para os motoristas acelerarem seus carros abastecidos com gasolina “sem imposto”, universidade pública (cujas vagas são, curiosamente, desejadas até pelos antiimposto), polícia etc.

A propósito: por mais que se pague por segurança particular, que eu saiba é só a polícia  – bancada por todos nós, com o pagamento de impostos – que tem autoridade para prender um criminoso. E quando há aumento da violência, uma das “soluções” na visão dos antiimposto é… Mais polícia!

Pontal do Estaleiro – Audiência Pública

Amanhã (6 de agosto) às 19h acontece na Câmara de Vereadores de Porto Alegre uma audiência pública para debater o Projeto Pontal do Estaleiro. É prevista a construção de quatro torres residenciais e duas comerciais para a área.

Se aprovado o projeto, terá início uma progressiva privatização da orla porto-alegrense. Ao invés de buscar aproximar a população do Guaíba, nossa elite “esclarecida” prefere que as margens sejam propriedades privadas de poucos. E não bastasse isso, de acordo com o que li no Dialógico a apresentação do projeto traz uma “sacanagem embutida”: “os prédios são apresentados em escala menor no contexto da paisagem, ou seja, proporcionalmente, aparecem mais baixos do que realmente serão construídos”.

Sem contar que a área sofrerá um grande acréscimo de tráfego, com todos os carros que ingressarão não só no complexo do Pontal, mas também no novo (mais um!) centro comercial que deverá ser inaugurado nos próximos meses, no mesmo bairro (Cristal).

E não se vê nenhum candidato à prefeitura tocar nesse assunto. Afinal, pega mal ir contra os interesses das construtoras, que são os mesmos da grande mídia – a qual não divulga uma vírgula que não seja favorável ao projeto…

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Infelizmente, não poderei estar presente à audiência, pois tenho aula no horário.