Vexame histórico

São essas palavras que, para mim, resumem o resultado da eleição para o DCE da UFRGS. Ano passado, eu comentei que se a esquerda insistisse na burrice de se dividir ao invés de unir forças através das concordâncias, mais cedo ou mais tarde a direita – que é unida – conquistaria o DCE.

Dito e feito: pela primeira vez na história da UFRGS, seu DCE será de direita. Pode até se questionar um sistema que permite a uma chapa com menos da metade dos votos válidos tornar-se representante de todos os estudantes, mas não culpá-lo. A mudança nas regras da eleição, com a previsão de um segundo turno, deveria ter sido feita antes do início da campanha: mudar agora, só porque a direita ganhou, é golpe.

A propósito, como a chapa vencedora jura que fará uma gestão “apartidária” – no sentido de “neutralidade” (do que duvido muito, sinceramente, ainda mais que um de seus apoiadores não esconde a posição de “direita” da chapa) – fica a sugestão para o ano que vem, quando eu não mais votarei, por estar me formando agora. Será que topam, sabendo que em um segundo turno a esquerda certamente se uniria?

Mas, sendo a eleição em um turno só, a esquerda deveria ter se unido desde antes e formado uma só chapa. Pois foi graças à cisão dos integrantes da atual gestão do DCE – que se dividiram entre as chapas 1 e 2 – que a direitista chapa 3 venceu, por 35 votos de vantagem sobre a segunda colocada, a chapa 1.

Para a esquerda, não é hora de procurar culpados, e sim, de refletir sobre esse vexame histórico. Que aprenda a lição: é preciso unir forças, não separá-las. Caso contrário, a direita só perde o DCE ano que vem se fizer uma gestão completamente desastrosa, a ponto de fazer menos votos que uma das chapas da esquerda desunida.

Eleição para o DCE da UFRGS: esquerda insiste na divisão

Ano passado, comentei aqui no Cão sobre a divisão da esquerda na eleição para o DCE da UFRGS. Afirmava que era um perigo tal divisão, enquanto a direita estava unida para uma eleição em um só turno, em que a chapa mais votada, mesmo que com apenas 30% de votos, vence.

Um ano se passou, e a situação é a mesma. Há três chapas de esquerda, desunidas devido a discordâncias, muitas vezes de ordem partidária, que deveriam ser deixadas para debate após a eleição. A direita continua lá, unida e com seu papinho de “despartidarizar o DCE”: concordo que o DCE deva atender aos interesses dos estudantes e não de determinados partidos, o problema é que esse papo de “despartidarização” não me engana, cheira mais à “despolitização”, o que a direita adora, por assim ter maiores chances de sucesso eleitoral, diante de uma sociedade que nada contesta.

Provavelmente votarei na Chapa 2, que aparentemente tem o maior número de apoiadores – sendo assim, maior chance de deter a 3, da direita. Mas com receio. Ano passado defendi que as divergências fossem esquecidas (pelo menos na eleição) e se formasse uma só chapa de esquerda, unida pelas concordâncias, devido ao risco de, mais cedo ou mais tarde, com a esquerda dividida, o DCE cair nas mãos da direita. Espero que não seja agora.

Chapa 1 para o DCE da UFRGS

Começa amanhã, e vai até quinta, a eleição para a gestão 2009 do DCE da UFRGS. Há quatro chapas concorrendo: três de esquerda e uma de direita.

O fato de haverem três chapas de esquerda (1, 3 e 4) é um problema sério: afinal, a esquerda está desunida por questões partidárias, enquanto a direita, representada pela Chapa 2 (que certamente rejeita ser considerada como de direita – o que é bem típico da direita), está unida. Como a eleição não tem segundo turno, se uma chapa for a mais votada com apenas 30% dos votos, ganha.

Fica muito claro o posicionamento da Chapa 2 só lendo o panfleto deles. Falam em “despartidarização do DCE”: até concordo que o DCE deva atender aos interesses dos estudantes e não de um determinado partido, o problema é que esse papo de “despartidarização” não me engana, cheira mais à “despolitização”, o que a direita adora – basta ver o que tem acontecido em Porto Alegre nos últimos tempos.

Uma das propostas bizarras deles (e que demonstra um desconhecimento das leis) é a de um convênio entre a UFRGS e o Estado para que a Brigada Militar possa policiar os campi. Detalhe: a UFRGS é território federal, logo a BM não pode entrar! Qualquer crime que aconteça dentro da universidade é competência das autoridades federais. Sem contar que tal proposta é a defesa, na prática, da entrada do Coronel Mendes na universidade.

Outra proposta que deixa muito claro o caráter de direita da Chapa 2 é o fato deles defenderem que o DCE não seja “entidade voltada para apoiar ações de grupos políticos como o MST, etc.” – e ainda tentam nos enganar com o papo de “despartidarização”! Certamente acham terrível que o DCE tenha se posicionado contra o descalabro do Pontal do Estaleiro (mesmo que não tenha só gente de esquerda contra o Pontal).

Há também o apoio à criação de “empresas juniores” em todos os cursos para incentivar o “empreendedorismo”. Imagino como deve ser uma “empresa junior” para incentivar os historiadores a serem “empreendedores”.

Além disso, qual tipo de “empreendedorismo” será incentivado? Se até os próprios defensores afirmam que empreendedor é um “monstro”…

Também é importante levar em conta o chamado “não-dito” no panfleto deles. Na quarta-feira, dois integrantes da Chapa 2 passaram na sala onde eu tinha aula, e foram questionados quanto às cotas: ano passado, o grupo era claramente contrário, e agora nada dizem a respeito disso. Afinal, há muitos estudantes que ingressaram via cotas na UFRGS e que vão votar na eleição para o DCE.

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Já ficou bem claro que não voto na Chapa 2 de jeito nenhum. Há as outras três chapas, de esquerda, e acredito que dentre elas, a que tenha maiores chances seja a 1. Afinal, ela representa a atual gestão do DCE – o que lhe dá mais força em relação às demais.

Assim, já deixo declarado meu voto na Chapa 1. E um apelo para o próximo ano: que se esqueçam as divergências e se monte uma só chapa de esquerda, em torno das concordâncias. Caso contrário, mais cedo ou mais tarde o DCE cairá nas mãos da direita.