Deixem Ronaldinho pra lá

Amanhã o Grêmio enfrenta o Atlético-MG no Estádio Olímpico, no estúpido horário das 18h30min (futebol aos domingos tem de ser às 16h – exceto no verão, claro – para depois do jogo o torcedor poder ficar um pouco no bar tomando uma cervejinha sem se preocupar com a segunda-feira cada vez mais próxima). Será também a segunda (e última) vez que Ronaldinho jogará no Olímpico como visitante: teria sido semana passada, não fosse sua saída do Flamengo e a posterior ida para o Galo.

Ao longo dessa semana já vi gente procurando fazer mobilização contra Ronaldinho. Muitos sugerindo que aquelas faixas onde se lia “PILANTRA” fossem novamente levadas ao Olímpico.

Minha opinião sobre Ronaldinho não mudou “nem um milímetro”. Mas acho que já é hora de deixá-lo em seu devido lugar: no passado. Nós o xingamos uma barbaridade naquele 30 de outubro, foi nosso “descarrego”. Um dia antes do jogo eu já defendia:

Mas o fundamental é que o 30 de outubro de 2011 represente exatamente isso: o fim definitivo da mágoa. Depois, é preciso virar a página. Ronaldinho não será esquecido, mas não pode continuar a ter tamanha importância para nós.

Confesso que exagerei ao dizer que deveria ser “o fim definitivo da mágoa”, pois é difícil esquecer os janeiros de 2001 e 2011. Como disse o Igor Natusch, uma traição machuca tanto que ninguém esquece, jamais perdoa plenamente; e muitos chegam a desacreditar do amor para sempre. Só que não dá para passar o resto da vida odiando tanto alguém: ficar remoendo a mágoa contra uma pessoa que já foi amada só nos deixa mais amargos, e impede que vivamos experiências bem melhores.

Sem contar que muitas vezes a vida nos prega peças. Certa vez uma moça me “sacaneou” a ponto de eu a “apelidar” de “Ronaldinha”, tamanha a raiva que senti dela. Hoje penso até mesmo em lhe mandar flores para agradecer por isso: ela, que se dizia de esquerda naquela época, “pulou a cerca” para o outro lado do espectro político e assim não teria como não entrar em conflito comigo.

Já Ronaldinho, ao optar pelo Flamengo, salvou o Grêmio de uma dívida enorme… Tanto que o Guga Türck já decidiu: amanhã, irá aplaudir o camisa 49 do Atlético-MG. Não chegarei a tal ponto, mas a nota de mil cruzados que levei ao Olímpico em outubro do ano passado, desta vez ficará em casa. Vaiarei Ronaldinho, mas apenas como costumo fazer com um adversário qualquer.

A melhor contratação recente do Grêmio

Por incrível que pareça, é um jogador que não vestiu a camisa tricolor, e sim a do Flamengo. Trata-se de Ronaldinho, que obteve via Justiça do Trabalho o direito de negociar com outro clube, embora o Fla ainda vá recorrer da decisão judicial. E como se não bastasse, ele ainda cobra R$ 40 milhões de seu agora ex-clube.

Embora nós gremistas tenhamos ficado revoltados no começo do ano passado, no fundo também havia uma certeza: a de que tínhamos nos livrado de uma “bomba-relógio” que “mandaria pelos ares” as finanças gremistas. Só lembrar o que escrevi no dia da entrevista coletiva que parecia indicar para onde Ronaldinho iria:

O anúncio era simplesmente que ainda não havia a definição sobre qual clube brasileiro seria o destino de Ronaldinho… Mas para mim algo ficou óbvio com essa palhaçada: se as possibilidades são apenas Flamengo, Grêmio ou Palmeiras (já falaram que o Corinthians também teria feito uma proposta pelo jogador), quer dizer que de três clubes, dois estão sendo enrolados; e quem contratar Ronaldinho, não gastará pouco.

Imaginava-se que a contratação de Ronaldinho “se pagaria” com a exploração comercial de sua imagem. Grêmio, Palmeiras e Flamengo estavam decididos a correr o risco; o Fla “ganhou” e levou.

Em 12 de janeiro de 2011, o jogador foi apresentado na Gávea, com uma grande festa. Diante da torcida que lotava o campo, Ronaldinho disse a frase que virou piada: “E agora eu sou Mengão”.

Neste quase um ano e meio vestindo a camisa rubro-negra, Ronaldinho teve alguns lampejos de craque, como naquele jogaço contra o Santos, em julho do ano passado – momento em que ele era o artilheiro do Campeonato Brasileiro e o Flamengo, candidato ao título e único invicto na competição. Mas no restante de 2011 as coisas desandaram: o Fla acabou o campeonato apenas na 4ª colocação, conseguindo assim uma vaga na Pré-Libertadores; já um dos “lances” mais comentados de Ronaldinho foi um “gol” que ele teria marcado “com a mão”… O jogador fechava seu primeiro ano no clube tendo conquistado apenas um título, o Campeonato Carioca. Além da não tão honrosa condição de ser um dos atletas mais xingados em uma partida de futebol, quando o Flamengo veio a Porto Alegre jogar contra o Grêmio no Olímpico, em outubro do ano passado. (Para “homenagear” Ronaldinho levei ao estádio uma nota de MIL CRUZADOS, sem valor desde 1990.)

Em 2012, o Flamengo continuou “uma zona”: foi eliminado da Libertadores na primeira fase e não chegou à decisão do Carioca. E Ronaldinho provou ser um péssimo negócio, já que o esperado “retorno financeiro” de sua contratação não veio – como seria de se esperar de um jogador que parece mais comprometido com a noite do que com o futebol. Não à toa, agora ele é xingado pela mesma torcida que há um ano e cinco meses ia ao delírio por sua chegada.

E agora, ele está liberado para negociar com outro clube. Uma pergunta é óbvia: dado o histórico recente de Ronaldinho, algum clube brasileiro cometeria a insanidade de tentar contratá-lo?

Perigoso precedente

O zagueiro Bolívar, do Inter, recebeu uma punição inédita por parte do STJD. Após entrada criminosa que rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo do lateral-esquerdo Dodô, do Bahia, o colorado ficará suspenso por no mínimo quatro jogos. Além destes, também estará proibido de jogar pelo mesmo período em que Dodô não puder entrar em campo devido à lesão.

Aparentemente, é uma punição exemplar. Porém, abre um perigoso precedente: agora, qualquer jogador que se machucar em uma dividida poderá provocar punição do mesmo tipo ao adversário, mesmo que ele não seja o culpado pela lesão.

Suponhamos que um atleta tenha problema no ombro, que inclusive já seja de conhecimento do departamento médico de seu clube. Aí um dia, num lance “ombro a ombro” (que pode até ser faltoso, mas é das jogadas mais normais no futebol), ele desloca a clavícula. O adversário é culpado? Não, pois o lesionado poderia se machucar em outro lance, talvez até mesmo sozinho. Sem contar que teríamos de partir do pressuposto de que o “agressor” sabia do problema do jogador adversário, e assim a “jogada de corpo” teria tido a intenção de machucar seu oponente.

Obviamente a minha hipótese não se aplica a Bolívar: sua entrada foi maldosa, merecedora de uma punição severa. Seis meses, um ano talvez, um longo tempo afastado dos gramados (até se levando em conta o período estimado para a recuperação de Dodô). E poderiam ser incluídos na pena os custos do tratamento.

Mas, que seja por um tempo definido. Pois caso Dodô machuque sozinho o mesmo joelho no futuro, como definir se a culpa ainda é de Bolívar? Aliás, mesmo caso do hipotético jogador com problema no ombro: se logo após voltar a jogar ele novamente deslocar a clavícula, a tendência será culpar o “responsável” por sua primeira lesão (mesmo que talvez nem na primeira ele seja culpado!).

Que o Vasco seja campeão

A dupla Gre-Nal se encaminha para um dos mais melancólicos finais de ano dos últimos tempos. Não briga por título, por Libertadores, por Sul-Americana (muito fácil se classificar para ela, com tanta vaga), pela fuga do rebaixamento… O clássico marcado para 4 de dezembro (se não for antecipado para o dia 3, sábado) poderá valer apenas para definir quem fica na melhor classificação final. Será comparável ao primeiro deste ano, realizado no dia 30 de janeiro em Rivera, com a diferença de que aquele foi um jogo de reservas, pois o Grêmio jogava a Pré-Libertadores e o time principal do Inter ainda estava em pré-temporada; já o de dezembro será uma bosta por pura incompetência da dupla.

Com o Grêmio nada mais tendo a fazer a não ser cumprir a tabela, não me resta outra alternativa que não a de abrir minha torcida para o Vasco da Gama nesta reta final de 2011. Mais do que não querer que o Corinthians seja campeão (aliás, se ganhar, é quase garantia de mais uma Libertadores perdida), torço para o Vasco devido ao bom exemplo que está dando neste ano.

Depois de começar 2011 de forma péssima, o Vasco se ajeitou e se não ganhou o Campeonato Carioca, papou o importante: a Copa do Brasil, numa eletrizante final contra o Coritiba, sensação do primeiro semestre. Só que se enganou quem pensou que o clube ficou satisfeito. Mesmo já tendo vaga garantida na Libertadores de 2012, o Vasco briga pelo título do Campeonato Brasileiro e está na semifinal da Copa Sul-Americana – pode assim obter o feito inédito de três classificações para a mesma Libertadores (obviamente as vagas serão remanejadas).

O Vasco de 2011 pode – e precisa – servir de lição a muitos clubes que em nome de conquistar um título importante, abrem mão de outros que são também importantes. Na maioria das vezes, tal estratégia se mostra equivocada, e ao invés de conquistar o mais importante, o clube acaba ficando sem nada. Todos lembram o que aconteceu ano passado com o Inter, que largou de mão o Campeonato Brasileiro após conquistar a Libertadores, foi para Abu Dhabi e, já sem o mesmo entrosamento, perdeu para o Mazembe (reparem que o Santos está correndo risco semelhante agora – a diferença é a ausência do Mazembe no Mundial). Em 2007 e 2008, Grêmio e Fluminense respectivamente usaram reservas no começo do Campeonato Brasileiro, poupando os titulares para a Libertadores: os pontos perdidos pelo Grêmio em jogos relativamente fáceis no começo do Brasileirão fizeram falta no final, e a última vaga à Libertadores de 2008 ficou com o Cruzeiro; já com o Fluminense foi pior, pois além de perder a Libertadores, só se livrou do rebaixamento na reta final do campeonato.

Vários times multicampeões não priorizaram apenas uma competição. Um dos melhores exemplos é o São Paulo de 1993: bicampeão da Libertadores, poderia ter “largado tudo” no segundo semestre, pensando apenas no Mundial. Não foi o que aconteceu: em setembro ganhou a Recopa Sul-Americana contra o Cruzeiro, e em novembro conquistou a Supercopa dos Campeões da Libertadores numa fantástica decisão com o Flamengo. No Campeonato Brasileiro, brigou pela classificação à final até o fim e acabou eliminado pelo Palmeiras, que também tinha um timaço.

Foi a melhor preparação que o São Paulo poderia ter: mesmo com o desgaste de um ano inteiro, estava pra lá de entrosado para enfrentar o poderoso Milan. Venceu por 3 a 2 num jogo sensacional, e sagrou-se bicampeão mundial.

Descarrego

Tenho certeza que todos os leitores (as) já passaram, estão passando e/ou passarão por desilusões amorosas. É algo inevitável, faz parte intrínseca do que somos, fomos e iremos ser pela vida afora. Então, proponho ao amigo (a) que nos acompanha uma questão bem singela, a partir de sua própria experiência pessoal: o que mais doeu em seus fracassos amorosos, na separação daquela pessoa que pareceu ser tudo, mas se revelou muitíssimo menos do que prometia?

Muitas respostas virão, certamente. Mas eu diria, e com certeza muitos do que responderem essa perguntinha diriam algo parecido, que o que mais dói é a desonestidade. Brincar com sentimentos alheios é uma coisa muito feia, que machuca mesmo, traumatiza até e faz com que muitos desacreditem do amor para todo o sempre. Algo que a vítima nunca esquece. E jamais perdoa plenamente. Jamais.

(Igor Natusch, no Carta na Manga)

Ronaldinho, enfim, ouviu o que merecia. Depois dele ter brincado com os sentimentos da torcida gremista, recebeu provavelmente o maior número de xingamentos por qualquer unidade de medida (segundo, minuto, metro quadrado e sei lá mais o quê) da história do futebol brasileiro.

Claro que a vitória histórica do Grêmio, 4 a 2 de virada que não foram contra o Flamengo e sim contra Ronaldinho (que não fez gol, bem feito!), não apaga tudo o que o jogador já fez contra nós. Mas depois deste 30 de outubro de 2011, fica mais fácil tratá-lo da forma que a razão indica: com indiferença.

Racionalmente, houve uma “quitação de dívida”: Ronaldinho sacaneou a torcida do Grêmio, que devolveu dedicando a ele tudo o que foi xingamento. Só que sentimentos não costumam ser racionais. A mágoa continua, por mais “descarregos” que se tenha: nunca acontecerá um retorno ao “ponto inicial”, que seria o perdão, pois os janeiros de 2001 e de 2011 sempre serão lembrados.

Mas ao menos, agora fica mais fácil deixar para trás esta página da história do Grêmio. Que não será apagada, mas precisa ser virada para que se possa escrever outras, preferencialmente mais felizes.

Teremos vaias para Guerreiro e Odone também?

Passado o desastroso resultado do Grêmio no sábado (não que a vitória servisse para alguma coisa neste já acabado 2011, mas era obrigação vencer o lanterna América-MG), todas as atenções se voltam para o jogo do próximo domingo no Estádio Olímpico, contra o Flamengo. Mais: contra Ronaldinho – isso se ele vier.

O blog Grêmio Libertador tem uma inteligente sugestão para o torcedor gremista que, por motivos óbvios, lotará o Estádio Olímpico no próximo domingo. O blog propõe uma manifestação pacífica com o uso de faixas, muito mais eficaz do que atirar moedas no ex-gremista, como os mais exaltados poderão querer fazer – atitude burra que pode resultar numa interdição do Monumental. Com o estádio tomado por faixas contra o “ídolo”, o Brasil todo poderá ver ao vivo pela televisão – a Globo não terá como esconder*.

Leitores do blog também fizeram uma bela sugestão de “homenagem” cantada – se bem que neste caso será mais para o próprio Ronaldinho, já que na televisão o som pode ser cortado, como já é tradição da Globo.

Obviamente vaiarei Ronaldinho – não apenas como gremista, mas também como cidadão. Aquele “leilão” que vimos no início do ano foi uma das maiores palhaçadas que já vi – inclusive já estava enojado antes mesmo do desfecho da “novela”. Ronaldinho e seu empresário-irmão simplesmente enrolaram os três clubes que brigavam pelo jogador – no caso, Grêmio, Palmeiras e Flamengo – em busca do contrato mais vantajoso. Leia-se: mais milionário. Pois Ronaldinho, coitado, estava muito pobre no começo de 2011…

Porém, não deixo de também achar que a vaia a Ronaldinho – que provavelmente será a mais ensurdecedora da história do Olímpico Monumental – poderá acabar servindo de “válvula de escape” para as frustrações dos gremistas nestes últimos 10 anos. Pois além dele, também deveriam ser vaiados o ex-presidente José Alberto Guerreiro e o atual mandatário gremista, Paulo Odone. Os dois têm grande parcela de culpa nas duas “traições” de Ronaldinho – e mesmo pelo declínio gremista nesta última década.

Em 2001, o jogador saiu sem render quase nada ao Grêmio graças à fanfarronice de Guerreiro: quando Ronaldinho despontou e começou a atrair propostas da Europa, em 1999, o então presidente decidiu “fazer média” com a torcida e mandou afixar na entrada do Olímpico uma faixa avisando que o Grêmio “não vendia craques”. Desta forma, o clube recusou propostas “irrecusáveis” pelo craque – dinheiro que, como vimos ao longo destes últimos 10 anos, fez muita falta aos cofres gremistas. E não bastasse isso, em 2000 contratou “medalhões” pagando salários absurdos, enquanto Ronaldinho, que fazia aquele time jogar, não ganhava nem metade do que recebia o “reserva de luxo” Astrada. Embora isso não faça a saída de Ronaldinho em 2001 ter sido menos “sacanagem”, também ajuda a entender melhor o que aconteceu.

Já no início de 2011, Odone tentou posar de “vítima” de mais uma sacanagem da dupla Assis e Ronaldinho. Porém, como o acontecido em 2001 indicava, não era admissível que o presidente do Grêmio tivesse total confiança neles – logo, tal discurso “vitimizador” não colou. E, de tanto o Grêmio perder tempo tentando contratar o jogador, acabou ficando não só sem ele, como também sem seu maior goleador em 2010, Jonas, que assim como Ronaldinho em 2001, saiu quase “de graça”, dois dias antes da estreia na Pré-Libertadores. Deu no que deu: eliminação nas oitavas-de-final da Libertadores, campanha pífia no Campeonato Brasileiro, e a exaltação a uma conquista que era nada mais do que obrigação de um clube como o Grêmio (mas pelo que Odone fala, parece ser o que de mais importante o Tricolor já ganhou).

Desta forma, vaiemos (e muito) Ronaldinho. Mas, por favor, jamais esqueçamos de Guerreiro e Odone. Do contrário, acharemos que “lavamos a alma”, e assim continuaremos nessa por pelo menos mais 10 anos.

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* Destaquei o “ao vivo” pois meu irmão descobriu algo inacreditável. No compacto do jogo Corinthians x Inter pelo Campeonato Brasileiro de 2005, simplesmente não aparece o lance capital da partida e do campeonato – ou seja, o pênalti não marcado sobre Tinga e o cartão amarelo ao colorado que, por já ter sido advertido antes, acabou expulso. Como gremista quero que o Inter se exploda, mas que isso se dê de maneira justa (como foi contra o Mazembe), e não com roubalheiras – e que não foram só naquele jogo.

Ganhamos do Santos lá…

Foi um resultado histórico, sem dúvidas. Até hoje a única vitória do Grêmio na Vila Belmiro fora em 1999, por aquela bizarra “seletiva para a Libertadores”. Enfim, ganhamos uma lá pelo Campeonato Brasileiro.

Mas, por favor, não me comecem a falar de novo em “lutar por vaga na Libertadores”. O objetivo do Grêmio neste Brasileirão é, no máximo, carimbar o passaporte para a Sul-Americana de 2012. Pois a permanência na Série A está praticamente garantida.

Grêmio praticamente fora da Libertadores 2012. Que bom!

Foi constrangedora a atuação do Grêmio ontem. Levou só 3 a 1 do Figueirense em pleno Olímpico, e com isso, é muito improvável que consiga disputar a Libertadores de 2012.

Sabem de uma coisa? Isso é ótimo!

Obviamente não estou contente com a derrota, ainda mais do jeito que ela veio: beirando a humilhação. Mas de tudo se pode tirar uma lição, o que é algo positivo. E neste caso, ela é a de que é insanidade acreditar em vaga na Libertadores do próximo ano. Ficou claro que o objetivo do Grêmio no Campeonato Brasileiro está praticamente garantido: a permanência na Série A. (Até porque ir à Sul-Americana é fácil demais, é quase a mesma coisa que escapar do rebaixamento, dado o exagerado número de vagas para o Brasil.)

Eu quero que o Grêmio dispute a Libertadores para ganhá-la, e não apenas para fazer figuração – opinião que compartilho com o Igor Natusch. E para isso é preciso planejamento a médio e longo prazo, o que tem sido raridade nos últimos tempos em se tratando do Tricolor.

Na atual situação financeira do Grêmio, o melhor é começar “comendo pelas beiradas”, como somos sempre ensinados quando crianças. É fato que o clube precisa voltar a ganhar um título além de Gauchão e Série B, e quebrar a escrita de 10 anos sem conquistas de verdade, mas querer logo a Libertadores é sonhar alto demais neste momento.

Por que não se dedicar a ganhar a Copa do Brasil (que foi justamente a última conquista de verdade do Grêmio)? Ela não demanda um plantel tão caro quanto um Campeonato Brasileiro, é um bom atalho para a Libertadores (sempre ela…) e, melhor ainda, termina no meio do ano. Sobra assim bastante tempo para buscar jogadores bons e baratos e, desta forma, montar um time em condições de conquistar La Copa sem precisar de muitos recursos financeiros.

Mas, é óbvio não irei torcer contra o Grêmio, mesmo que ele corra o risco de se classificar para a Libertadores do ano que vem e, assim, de não poder disputar a Copa do Brasil. Quero que ganhe os próximos jogos, para assim garantir matematicamente a fuga do rebaixamento – e provavelmente uma vaga na Copa Sul-Americana – e, principalmente, que anule Ronaldinho na partida do próximo dia 30 contra o Flamengo (se é que o ex-gremista terá coragem de vir ao Olímpico).

Mas assim que realmente não houver mais nenhum risco, que se ponha a gurizada a jogar e já se comece a buscar jogadores (e também um treinador, já que Celso Roth tem, sim, prazo de validade) para 2012, de modo a que o último ano do Olímpico Monumental não seja tão melancólico quanto o penúltimo.

Saindo do recesso

Declaro encerrado o recesso do Cão, antes mesmo da prova. Afinal, li que quando se faz concurso à tarde, o ideal é não estudar nada pela manhã – o que faz sentido: o conteúdo que não consegui decorar aprender até agora, não será em poucas horas que conseguirei fixar. Então, que seja como tiver que ser – de preferência, uma prova facinha, e que o desempate seja uma questão sobre a Revolução Romena de 1989, já que daquele contexto (1989) a maioria prefere estudar a queda do Muro de Berlim (se bem que isso tá caindo de maduro, pois semana passada fez 50 anos que o “Muro da Vergonha” foi construído).

Mas este período sem escrever foi inspirador para o pós-recesso. Virão mais textos sobre o fenômeno dos “concurseiros”, que expõe algumas contradições da classe média: o “médio-classista padrão” acha que pobre é “vagabundo que não quer trabalhar” (mesmo que se arrebente trabalhando o dia inteiro), mas não fique surpreso se o mesmo “médio-classista padrão” deixar de trabalhar para passar os dias inteiros estudando para concursos…

Só não prometo para logo à noite, pois depois da prova vou sofrer assistir ao jogo do Grêmio.

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Atualização (21/08/2011, 11:55). Acabo de descobrir que o jogo começa às 16h, então perderei de assistir à maior parte…

Grêmio 1 x 1 América-MG

Pergunta da minha chefe, na manhã de hoje: O Grêmio jogou ontem?

Minha resposta: Ontem o Grêmio entrou em campo. Agora, jogar já é outra história…

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Acabei não indo ao jogo. Fiz bem: se eu fosse, teria de assistir aquilo, e ainda por cima sem poder tomar uma cervejinha para atenuar o desalento.

E também não poderia protestar após o apito final. Pois quem vaia é “falso gremista”, e ainda corre o risco de apanhar da polícia…

FORA ODONE!