Não tem jeito

Charge do Kayser (2007). Se o Corinthians ganhar a Libertadores, a TV ganha junto...

Semana passada consegui torcer pelo Corinthians (quis ser “do contra” só por ser). Mas hoje, no jogo decisivo, não vai dar.

Não entro nessas de que “o Boca é o Brasil na final da Libertadores”. E nem na visão “global”, que dá tal papel ao Corinthians – afinal, sua torcida é uma das mais apaixonadas do país, mas não corresponde a nem metade dos brasileiros.

Aliás, essa ideia de que “o Corinthians é o Brasil” nem vale só para a Libertadores. Na decisão da Copa do Brasil de 2008, por exemplo, eu tinha a impressão de que Pernambuco era outro país, tamanha a “empolgação” com que os gols do Sport foram narrados.

Não quero nem imaginar o que será assistir televisão (coisa que já faço raramente) caso o Corinthians vença. Quando o Timão foi rebaixado em 2007, lembro que chegaram a transmitir ao vivo um treino do time antes da partida decisiva contra o Grêmio (que acabou empatada em 1 a 1). Agora, já tivemos programas especiais sobre o clube, antes mesmo da bola rolar (esquecem que o Boca adora oba-oba de adversário).

Pelo visto acham que a maioria dos brasileiros é formada por torcedores do Flamengo ou do Corinthians. Os dois clubes têm as duas maiores torcidas, é verdade, mas há um enorme contingente de brasileiros que não torce para nenhum dos dois: as cinco maiores torcidas não correspondem nem à metade da população do Brasil. (E repare que a maioria dos corintianos mora no estado de São Paulo.)

Cão quinquenal

Em 6 de maio de 2007, o Grêmio conquistou seu 35º título estadual ao bater o Juventude por 4 a 1 no Olímpico. O técnico Mano Menezes escalou o Tricolor assim: Saja; Gavilán, William, Teco e Lúcio (Bruno Teles); Edmílson, Sandro Goiano, Tcheco e Diego Souza; Carlos Eduardo (Ramón) e Tuta.

Um mês e meio depois, o Grêmio precisava no mínimo de uma vitória por três gols de diferença sobre o Boca Juniors para conquistar pela terceira vez a Taça Libertadores da América. Desta vez não deu: 2 a 0 para os argentinos, com grande atuação de Riquelme. Mano Menezes levou a campo o seguinte time: Saja; Patrício, William, Teco (Schiavi) e Lúcio; Gavilán, Lucas, Tcheco (Amoroso) e Diego Souza; Tuta (Éverton) e Carlos Eduardo.

A diferença entre as duas decisões não foi apenas o resultado. No dia seguinte à derrota para o Boca, teve texto aqui no Cão Uivador. Bem diferente da vitória sobre o Juventude: simplesmente não tinha Cão para comemorar o título.

Tudo porque o Cão Uivador só “nasceu” no dia 14 de maio de 2007, oito dias após a vitória gremista. Não que um título estadual signifique muita coisa (a conquista de 2010 nem ganhou texto comemorativo), mas dá uma amostra do quão escassas tem sido as alegrias gremistas nestes últimos tempos (o que vem desde bem antes do início das atividades do Cão).

Em cinco anos, embora pareça pouco tempo, muita coisa muda. Tanto no próprio blog – ganhou ou perdeu leitores, mudou leiaute, textos melhoraram ou pioraram (depende do ponto de vista de cada um, neste caso) etc. – como em outros aspectos. Se o Grêmio parece estar na mesma (se não pior), houve mudanças em âmbito pessoal, local, regional, nacional e mundial (aí estão os protestos globais que vêm desde o ano passado para não me deixarem mentir).

Neste momento em que penso no que mudou de 2007 para cá, algo interessante a se fazer também é olhar para o futuro. Imaginar como as coisas poderão estar daqui a mais cinco anos – torcendo para que estejam melhores, tornando realidade algumas utopias como a justiça social e a solidariedade.

Aliás, chegará o Cão até lá? Farei o possível para que sim – e desta forma teremos uma década de blog em 14 de maio de 2017. Porém, como já falei, muitas coisas acontecem em meia década.

Inclusive, não foram poucas as vezes em que cheguei a cogitar o fim do Cão. E se isso não aconteceu, só se deve a uma razão: tu que estás aí lendo este texto. Afinal, quando alguém se expressa das mais diversas formas (fala, escrita etc.), só o faz por um motivo: quer dizer algo a outras pessoas. Um blog precisa de alguém que escreva, mas ainda mais de alguém que leia (e que não seja a mesma pessoa que escreve).

É por isso que faço questão de, a cada aniversário do Cão, deixar explícitos meus mais sinceros agradecimentos a todos os leitores, que concordam, discordam, leem frequentemente ou esporadicamente o blog. São vocês – mais do que o blogueiro – que o mantém vivo. Um grande abraço, e muito obrigado!

É HOJE!!!

A partir do final da manhã, começa a mobilização das entidades contrárias ao projeto Pontal do Estaleiro para a votação na Câmara Municipal de Porto Alegre. Serão distribuídas igualmente entre apoiadores e contrários 200 senhas para que possam assistir à votação no plenário, que começa às 14h.

Prevendo a grande presença de público, a Câmara decidiu instalar um telão no lado de fora para que as pessoas que não tiverem acesso ao plenário possam assistir à votação.

Em coluna no Correio do Povo de ontem, Juremir Machado da Silva disse que a Câmara “vai virar uma Bombonera”. Só espero que a maioria dos vereadores não seja “meia-boca” como o time que enfrentou o Inter semana passada.

Acabou

Agora, o mundo tem um digno campeão, depois de 364 dias de sofrimento…

Brincadeiras com os colorados à parte, ficou comprovado que o Boca Juniors da Libertadores só era forte porque tinha Riquelme. Sem seu craque, perdeu de 4 a 2 para o Milan, mas podia ter tomado mais. O Boca tem um time comum, sem nada de mais, diferentemente dos dois últimos sul-americanos campeões mundiais (São Paulo e Internacional), que tinham boas equipes.

Se na final da Libertadores o Boca não tivesse Riquelme, quem sabe a história seria diferente…

E se acontecesse a verdadeira façanha que seria o Grêmio derrotar o poderoso Milan, teríamos hoje em Porto Alegre uma comemoração em um clima muito mais agradável do que os apocalípticos 38°C de dezembro do ano passado. Aquele calor desgraçado foi pior do que agüentar os colorados!

Ranking

A Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) divulgou seu ranking atualizado, referente ao período de 1º de setembro de 2006 a 31 de agosto de 2007.

Grêmio na frente do Inter. Nada como ver as coisas voltarem a seu lugar…

Os 5 primeiros colocados são:

  1. Sevilla (Espanha)
  2. Chelsea (Inglaterra)
  3. Santos (Brasil)
  4. Boca Juniors (Argentina)
  5. Manchester United (Inglaterra)

Dentre os clubes brasileiros, além do Santos, aparecem São Paulo (17º), Grêmio (35º), Inter (40º), Flamengo (43º), Paraná (49º), Atlético-PR (57º), Fluminense e Botafogo¹ (ambos empatados em 65º), Figueirense (84º), Corinthians (95º), Cruzeiro (109º), Vasco (124º), Goiás (141º) e Palmeiras (266º).

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¹ Na postagem de ontem, que dediquei à minha amiga botafoguense Flavia, ela deixou um comentário dizendo que o Botafogo continua na frente do Grêmio. Por enquanto, continua na frente na classificação do Brasileirão, mas no ranking

Gol de Sanfilippo

Querido Eduardo:

Te conto que dia desses estive no supermercado “Carrefour”, onde antigamente era o campo do San Lorenzo. Fui com José Sanfilippo, o herói da minha infância, que foi goleador do San Lorenzo quatro temporadas seguidas. Caminhamos entre as prateleiras, rodeados de caçarolas, queijos e résteas de lingüiça. De repente, quando nos aproximamos das caixas, Sanfilippo abre os braços e me diz: “E pensar que bem daqui meti um gol de bate-pronto no Roma, naquela partida contra o Boca…”. Passa diante de uma gorda que arrasta um carrinho cheio de latas, bifes e verduras, e diz: “Foi o gol mais rápido da história”.

Concentrado, como esperando um córner, ele me conta: “Eu disse ao número cinco, que estreava: assim que começar a partida, manda a bola para a área. Não se preocupe, que não vou te deixar mal. Eu era mais velho e o rapaz, que se chamava Capdevilla, se assustou, pensou: se eu não obedecer, estou frito”. E aí, de repente, Sanfilippo me mostra a pilha de vidros de maionese e grita: “Ele colocou a bola bem aqui!”. As pessoas nos olham, assustadas. “A bola caiu atrás dos zagueiros centrais, atropelei mas ela foi um pouco para lá, onde está o arroz, viu só?” – e me mostra a estante de baixo, de repente corre como um coelho apesar do terno azul e dos sapatos lustrosos – : “Deixei-a quicar, e plum!”. Dispara com a esquerda. Nos viramos, todos, para olhar na direção da caixa, onde há trinta e tantos anos estava o gol, e parece a todos nós que a bola entra por cima, justamente onde estão as pilhas para rádio e as lâminas de barbear. Sanfilippo levanta os braços para festejar. Os fregueses e as caixas quase arrebentam as mãos de tanto aplaudir. Quase comecei a chorar. O Nene Sanfilippo tinha feito de novo aquele gol de 1962, só para que eu pudesse vê-lo.

Osvaldo Soriano

O texto acima está publicado no livro Futebol ao Sol e à Sombra, de Eduardo Galeano.

Caso saia do papel a Arena Pifa do Odone, no lugar do Estádio Olímpico será construído um centro comercial.

Para relembramos gols inesquecíveis, como o do Cesar na Libertadores de 1983, ou o do Aílton no Brasileirão de 1996, teremos de andar entre um monte de consumistas vorazes.

Só perde a final quem chega lá!

O Grêmio perdeu. Jogou mal justamente o jogo que não podia ter jogado mal. Ainda mais contra um adversário como o Boca.

Mas sejamos sinceros. Com o time que tem, o Grêmio foi longe demais. Em geral não se valoriza o vice-campeonato no Brasil, mas acho que nossos jogadores precisam ser aplaudidos. Nosso treinador Mano Menezes deve ser reverenciado. Conseguiu fazer com que este grupo chegasse à final da Libertadores.

Alguém lembra do dia 21 de junho de 2005? Eu lembro. O Grêmio havia perdido por 4 a 0 para a Anapolina, dois dias antes. Mano Menezes balançava. O time estava mal na Série B. Quem dissesse que dois anos depois a Nação Tricolor estaria lamentando a derrota na final da Libertadores seria mandado na hora para um hospício.

Agora é hora de começar a reação no Campeonato Brasileiro. Domingo tem Grenal, nada melhor do que o Grêmio reiniciar sua caminhada rumo à Libertadores 2008 vencendo o maior rival – que, vale lembrar, ganhou títulos importantes em 2006 mas em 2007 PIFOU, enquanto o Grêmio chegou à final da Libertadores.

E ao Boca Juniors, parabéns pela conquista. O Grêmio jogou mal, mas não podemos esquecer que o Boca jogou bem, e mereceu a vitória por 2 a 0. Ano que vem, nos encontraremos novamente. De preferência, em mais uma final.

Mensagem do Grêmio para o jogo de amanhã

VITÓRIA SERÁ NO GRITO E NA BOLA

Desarme seu espírito e chegue cedo ao Olímpico

Torcedor gremista.

Para o Grêmio chegar ao título da Copa Libertadores da América, na próxima quarta-feira, precisará fazer pelo menos quatro gols no Boca Juniors, ou três para levar a decisão para o tempo extra e penalidades.

Para isso acontecer, é necessário jogar bola.

Fazer a bola andar.

E todos nós sabemos que isso fica mais fácil com o apoio incondicional do torcedor nas arquibancadas.

Com a torcida ajudando, cresce a confiança de cada jogador.

E time confiante dentro de campo, as coisas fluem com maior facilidade.

O adversário sente a força da torcida e esmorece.

Torcedor gremista.

Faça sua parte. Empurre o time no grito.

Faça sua festa.

Não caia em provocações.

Não haja com violência.

A vingança deve vir dentro de campo.

A vingança deve vir na bola.

Nas arquibancadas, mostre sua força.

O revide é no grito.

Mostre que a mística da Bombonera não passa de lenda e que torcida que ganha jogo é a nossa.

Chegue cedo ao Olímpico e acesse o estádio com tranqüilidade.

Desarme seu espírito.

Venha ao Olímpico com o único intuito de empurrar o time.

No final, todos saem ganhando.

Inclusive você.

Dá-lhe Grêmio!