Cão quinquenal

Em 6 de maio de 2007, o Grêmio conquistou seu 35º título estadual ao bater o Juventude por 4 a 1 no Olímpico. O técnico Mano Menezes escalou o Tricolor assim: Saja; Gavilán, William, Teco e Lúcio (Bruno Teles); Edmílson, Sandro Goiano, Tcheco e Diego Souza; Carlos Eduardo (Ramón) e Tuta.

Um mês e meio depois, o Grêmio precisava no mínimo de uma vitória por três gols de diferença sobre o Boca Juniors para conquistar pela terceira vez a Taça Libertadores da América. Desta vez não deu: 2 a 0 para os argentinos, com grande atuação de Riquelme. Mano Menezes levou a campo o seguinte time: Saja; Patrício, William, Teco (Schiavi) e Lúcio; Gavilán, Lucas, Tcheco (Amoroso) e Diego Souza; Tuta (Éverton) e Carlos Eduardo.

A diferença entre as duas decisões não foi apenas o resultado. No dia seguinte à derrota para o Boca, teve texto aqui no Cão Uivador. Bem diferente da vitória sobre o Juventude: simplesmente não tinha Cão para comemorar o título.

Tudo porque o Cão Uivador só “nasceu” no dia 14 de maio de 2007, oito dias após a vitória gremista. Não que um título estadual signifique muita coisa (a conquista de 2010 nem ganhou texto comemorativo), mas dá uma amostra do quão escassas tem sido as alegrias gremistas nestes últimos tempos (o que vem desde bem antes do início das atividades do Cão).

Em cinco anos, embora pareça pouco tempo, muita coisa muda. Tanto no próprio blog – ganhou ou perdeu leitores, mudou leiaute, textos melhoraram ou pioraram (depende do ponto de vista de cada um, neste caso) etc. – como em outros aspectos. Se o Grêmio parece estar na mesma (se não pior), houve mudanças em âmbito pessoal, local, regional, nacional e mundial (aí estão os protestos globais que vêm desde o ano passado para não me deixarem mentir).

Neste momento em que penso no que mudou de 2007 para cá, algo interessante a se fazer também é olhar para o futuro. Imaginar como as coisas poderão estar daqui a mais cinco anos – torcendo para que estejam melhores, tornando realidade algumas utopias como a justiça social e a solidariedade.

Aliás, chegará o Cão até lá? Farei o possível para que sim – e desta forma teremos uma década de blog em 14 de maio de 2017. Porém, como já falei, muitas coisas acontecem em meia década.

Inclusive, não foram poucas as vezes em que cheguei a cogitar o fim do Cão. E se isso não aconteceu, só se deve a uma razão: tu que estás aí lendo este texto. Afinal, quando alguém se expressa das mais diversas formas (fala, escrita etc.), só o faz por um motivo: quer dizer algo a outras pessoas. Um blog precisa de alguém que escreva, mas ainda mais de alguém que leia (e que não seja a mesma pessoa que escreve).

É por isso que faço questão de, a cada aniversário do Cão, deixar explícitos meus mais sinceros agradecimentos a todos os leitores, que concordam, discordam, leem frequentemente ou esporadicamente o blog. São vocês – mais do que o blogueiro – que o mantém vivo. Um grande abraço, e muito obrigado!