André Lima é o cara, eu já sabia!

O que a mídia isenta não faz para esconder imparcialmente as suas falcatruas…

Charge do Kayser

Mas, espero que essa capa ridícula e preconceituosa que o panfleto reacionário Veja publicou semana passada ao menos faça o André Lima acreditar que realmente é melhor que o Messi, e dessa forma ele meta uns quatro gols nos vermelhinhos logo mais!

O caos no trânsito de Porto Alegre é também um problema de saúde pública

Avenida João Pessoa, defronte à UFRGS, por volta das 6 da tarde da quinta-feira, 26 de abril. Alguém precisou de uma ambulância. E ela ficou presa no caos que é o trânsito de Porto Alegre em todos os finais de tarde.

Não sei qual foi o motivo pelo qual esta ambulância foi chamada. Só espero que tenha sido algo “simples”, tipo uma fratura: dói, mas não põe em risco a vida da pessoa. Bem diferente de um infarto. E o pior é que problemas de saúde não costumam marcar hora: podem vir tanto numa noite de domingo como num final de tarde de quinta-feira. Com ou sem congestionamento.

Aí reclamam que as bicicletas da Massa Crítica atrapalham o trânsito (como se apenas automóveis fossem trânsito). Será que realmente são elas? Ou não será esta montoeira de carros (vista por muitos como “prova da pujança econômica do Brasil”), que impede a passagem de um veículo que tem por objetivo salvar uma vida?

Os valores conservadores e a influência da escola

Em 1970, o sociólogo francês Pierre Bourdieu publicou, em parceria com o colega Jean-Claude Passeron, “A reprodução”, obra que faz uma análise do sistema educacional na França. Embora não a tenha lido, tive acesso a sinopses e resumos dela, sabendo que o livro demonstra, de forma geral, que a função principal das escolas francesas não era a de estimular o pensamento, e sim, de legitimar o status quo.

Semana passada, tive um excelente exemplo de como a análise de Bourdieu e Passeron é correta. Percebi o óbvio: alunos de colégios conservadores tendem a ser adultos conservadores, ainda mais se vindos de famílias assim. (E se estudarem em universidades conservadoras, então…)

Notei isso semana passada, quando conversei com uma ex-colega do segundo grau com quem não falava há muitos anos, e uma das primeiras coisas que ela me perguntou foi se eu tinha casado… Foi quando reparei que, dentre o pessoal da época do segundo grau que mais encontro, o casamento – seja formal ou informal (o famoso “se juntar”) – é regra.

Então comparei com a turma de amigos do tempo do primeiro grau: nela, não só o casamento não é regra, como há mais contestação à “obrigatoriedade” de se ter uma relação afetiva estável. Como prova uma manifestação de uma de minhas ex-colegas, solteira e descompromissada, no Facebook em dezembro passado: comentando os “votos” para que arranjasse um namorado em 2012, ela questionou por que uma mulher solteira aos 30 anos incomoda tanta gente.

O que diferencia ambas as turmas? O colégio. Cursei o primeiro grau em escola pública (Colégio Estadual Marechal Floriano Peixoto); a maioria dos colegas também cursou o segundo grau em escolas públicas (muitos ficaram no próprio Floriano), ou seja, oficialmente laicas. Bem diferente do segundo grau, que cursei no Colégio Marista São Pedro; embora houvesse uma separação nítida entre a religião e o conteúdo ministrado nas aulas (em Biologia e História estudávamos Biologia e História mesmo, não criacionismo), o colégio era oficialmente católico, portanto, conservador (me digam qual religião não é conservadora?), e muitos colegas já eram alunos do São Pedro desde o jardim de infância.

A visão de mundo conservadora dá uma importância muito grande à “defesa da família”. Logo, é compreensível que um dos principais objetivos de vida para quem é conservador seja “constituir família”, antes de crescer profissionalmente, fazer algo para melhorar o mundo etc. (Não que eu considere ruim alguém querer constituir família: só acho que não é a única opção.)

Surge assim parte da resposta ao questionamento da minha amiga solteira: ao não dar tanta importância à busca por um namorado, ela subverte a lógica de que “toda pessoa solteira está em busca de um amor”, o que a impede de “constituir família”. E isso realmente incomoda muita gente – principalmente os machistas, que não suportam a ideia de uma mulher ser independente e não estar a fim de assumir compromisso com homem algum: para eles, a função da mulher ainda é “pilotar fogão”, limpar a casa e cuidar dos filhos.

Por fim, alguns devem estar querendo saber como não me tornei um conservador (e, “pior” ainda, agora sou ateu!). Certamente pesaram para isso o fato de não ter vindo de família conservadora (apesar de minha mãe ser católica, meu pai é agnóstico e de esquerda, logo, questionador), além de ter estudado predominantemente em instituições laicas: foram apenas três anos no São Pedro, contra dezesseis na soma de Floriano e UFRGS (Física inclusive). Pois como foi dito lá no começo, o conservadorismo trata-se de uma tendência, e não de um destino inevitável.

E se o café fosse proibido?

Ou, “por que a política proibicionista está fadada ao fracasso”. Esta frase resume o que diz no vídeo abaixo Ethan Nadelmann, fundador da Drug Policy Alliance (entidade que se opõe à chamada “guerra contra as drogas” patrocinada pelos Estados Unidos).

Aliás, a História tem um bom exemplo de fato semelhante. Em 1º de janeiro de 1920, entrou em vigor uma emenda à constituição dos EUA que proibia produção, transporte e venda de bebidas alcóolicas no país. Era a famosa “Lei Seca”, que tinha grande apoio popular em seus primeiros tempos: dizia-se que o álcool era a causa de boa parte dos males que afligiam a sociedade estadunidense. Ou seja, era aquele velho e sedutor discurso de “proteger a família”, ou “defender a moral e os bons costumes”.

Porém, o “remédio” mostrou ser pior que a “doença”. A Lei Seca não fez quem bebia deixar o álcool: o comércio ilegal de bebidas alcóolicas (igual ao tráfico de drogas) faturou muito. O crime organizado cresceu como nunca nos EUA: foi o auge dos grupos mafiosos, sendo que o mais famoso deles foi o de Chicago, liderado por um tal de Alphonse Gabriel Capone, mais conhecido como Al Capone.

A popularidade da Lei Seca se esvaiu com o aumento do crime organizado, e consequentemente ela acabou revogada em 1933. Afinal, o governo percebeu que a proibição do álcool não só beneficiava as máfias, como também significava menor geração de empregos (e arrecadação de impostos) quando os EUA tentavam sair da crise econômica iniciada em 1929.

Vigília no Olímpico

A data exata ainda não está marcada, mas é certo que em menos de um ano nós gremistas veremos, com lágrimas nos olhos, o fim de nosso templo sagrado, o Estádio Olímpico Monumental. Para muitos ainda não parece ter “caído a ficha”, mas para mim isso começou a acontecer essa semana.

Para marcar este evento triste, mas que ainda assim será histórico, surgiu uma proposta: a de todos os gremistas fazerem uma homenagem ao Olímpico, mantendo vigília na noite anterior à sua demolição. Ideia à qual já aderi.

Como será feita a vigília? Ainda não há uma programação, mas não imagino algo diferente de uma multidão de gremistas passando a noite inteira em torno do Olímpico. Tomando uma cervejinha, comendo um churrasco, relembrando jogos históricos.

(Aliás, algo que pretendo fazer nos próximos meses é ir postando, aos poucos, a lista de todos os jogos do Grêmio nos quais estive presente – sim, eu tenho uma lista, pois nas primeiras partidas o ingresso ainda era de papel, o que facilitava a lembrança; depois comecei a anotar mesmo. Sempre que lembrar fatos sobre os jogos, os mesmos serão postados.)

Não será uma festa, afinal, será a última noite de um estádio muito querido por todos nós gremistas. Despedida, inclusive, contra a vontade de não tão poucos: confesso que não verei a Arena da mesma forma que o Olímpico, já que o último é realmente do Grêmio, enquanto o novo estádio terá seu uso concedido ao Tricolor para só se tornar realmente sua propriedade depois de 20 anos.

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Siga o Twitter da Vigília no Olímpico: @VigiliaOlimpico.

O primeiro gostinho de despedida

Estamos no último ano do Estádio Olímpico Monumental. Isso é uma obviedade desde que 2011 virou 2012, mas ainda não me tinha “caído a ficha”. Pois agora, amigos, é que isso começou a acontecer.

Lembro de, no início de 2012, ter prometido a mim mesmo que iria ao máximo possível de jogos no Olímpico, se possível a todos. Promessa que o verão de destruição em massa que tivemos este ano em Porto Alegre me fez descumprir, pelo menos até o camarada equinócio de outono. Até ali, só fora ao Gre-Nal do dia 5 de fevereiro: estava um calorão e o Inter escalara o time reserva, mas era Gre-Nal.

Por sua vez, desde que os dias voltaram a ficar mais curtos que a noite (e mais amenos), não perdi mais nenhum jogo do Grêmio em casa. Foi curioso: viajei duas vezes, e tive a sorte de nestes períodos fora de Porto Alegre o Tricolor só jogar no estádio adversário. Acreditem, na hora de marcar as viagens eu não conferi as tabelas do Gauchão e da Copa do Brasil: só dei uma olhada na da Divisão de Acesso estadual, pois queria ir (e fui) a um jogo do Vovô em Rio Grande. Entre uma viagem e outra, conferi Grêmio x Avenida, vitória fácil por 4 a 0.

Reparei que, do início do outono em diante, passei a cumprir a promessa que fiz… Porque este é o último ano que vou a jogos no Olímpico.

E agora percebo que, em menos de um ano, passar ali pela famosa “rótula do Papa” não terá mais o mesmo significado de sempre para mim. Hoje eu passo ali, olho para o lado e lá está o Olímpico Monumental: dá aquele orgulho, pois olhar para o Olímpico automaticamente faz lembrar do Grêmio, dele se impondo contra seus adversários, ganhando títulos como aquela Libertadores de 1983 e também o Brasileirão de 1996. Faz lembrar a torcida apaixonada tomando conta da região nos dias de jogos. Também me vêm automaticamente a lembrança de ter estado lá dentro mais de duzentas vezes desde 16 de setembro de 1995.

Já em abril de 2013, passar por aquele ponto me fará lembrar de tudo isso que falei no parágrafo acima. Mas não terei mais o Olímpico Monumental para olhar. Vai dar uma tristeza, um aperto no peito, mesmo com o Grêmio existindo, embora em outro endereço – que, espero, seja realmente um bom negócio para o Tricolor…

Lagoa da Redenção

Formação de uma lagoa, segundo a Wikipédia (os grifos são meus):

Lagoas podem resultar de uma ampla gama de processos naturais, embora em muitas partes do mundo estes sejam fortemente condicionados pela atividade humana. Qualquer depressão no terreno que coleta e conserva uma quantidade suficiente de precipitação pode ser considerada uma lagoa, como as depressões formadas por eventos geológicos, como o tectonismo ou os glaciares.

Apresento aos leitores a mais jovem lagoa do Rio Grande do Sul: ela fica no Parque da Redenção (onde faz tempo que inexiste algo chamado “drenagem”). Durante o inverno é quase perene. No verão o calor faz com que ela evapore mais rápido após uma chuvarada – não fosse isso, teríamos um baita criadouro de mosquitos (dengue, lembram?) em uma das áreas mais movimentadas de Porto Alegre.

Domingo, na hora que passei pela Redenção para ir ao jogo do Grêmio, ela ainda estava lá, nos lembrando o quanto choveu sábado e também o quão malcuidada está a cidade.

A diferenciação social no desastre do Titanic

O Titanic partindo para sua primeira (e única) viagem, em 10 de abril de 1912

Na última madrugada, o mais marcante naufrágio da história da humanidade completou um século. Construido entre 1909 e 1912, o Titanic era considerado um navio “inafundável”, e simbolizava muito bem a concepção de “progresso da humanidade” muito em voga nas sociedades ocidentais da época.

O transatlântico, o maior do de todos os tempos na época, partiu de Southampton (Inglaterra) no dia 10 de abril de 1912, fazendo escalas em Cherbourg (França) e Queenstown (atual Cobh, Irlanda) antes de seguir rumo a Nova York, com 2.223 pessoas a bordo (tripulantes incluídos). Porém, o navio “inafundável” foi a pique logo em sua primeira viagem, matando 1.514 pessoas. O naufrágio foi um duro golpe para as sociedades da época: era uma prova de que por mais que a humanidade “progrida”, a natureza sempre está um passo à frente, podendo se fazer representar por um terremoto, uma tempestade ou um iceberg como o que selou o destino do Titanic.

Em 1912 a luta de classes já fazia parte do debate político na Europa (e se tornaria ainda mais presente cinco anos depois, devido à Revolução Russa), com trabalhadores se organizando em sindicatos e partidos de orientação socialista. As elites, claro, não estavam dispostas a abrir mão de seus privilégios. E isso se refletiu muito bem dentro do Titanic: não havia botes salva-vidas suficientes para resgatar todos os passageiros do navio. Eram 20 botes, número que estava dentro da previsão legal na época, por um motivo muito simples: em caso de naufrágio, era só priorizar os passageiros mais abastados…

E foi assim que aconteceu, como mostra o ótimo infográfico feito pelo canal History. Como é de praxe em naufrágios, a prioridade no resgate é dada a mulheres e crianças: na primeira classe, apenas 7% morreu, enquanto na terceira tal índice saltou a 53% (na segunda classe, a “média”, 19% pereceu). Dentre os tripulantes, 13% das mulheres veio a morrer. No total, incluindo os homens (maioria dos mortos), as mortes correspondem a 37% dos passageiros da primeira classe, 58% dos da segunda, 75% dos da terceira e 77% dos tripulantes.

A elite foi favorecida por sua disposição no Titanic: os aposentos da primeira classe eram os que ficavam nos deques superiores, mais próximos aos botes salva-vidas. Já os da terceira classe se localizavam nos deques inferiores, mais distantes. Assim, só a regra do “priorizar quem chega primeiro” já beneficiava os passageiros mais abastados.

Após o desastre, as leis que regiam a construção de transatlânticos foram alteradas, e passou a ser obrigatório que eles contassem com botes salva-vidas em número suficiente para resgatarem todos os passageiros.

Em Porto Alegre não falta alga

Desde o final do ano passado enfrentando uma estiagem, o Rio Grande do Sul precisa de chuva – como a deste sábado – para amenizar a situação. Várias cidades racionam água devido à escassez.

Em Porto Alegre o racionamento não chega a ser necessário em épocas de estiagem, já que o Guaíba recebe água de vários rios, sendo o principal deles o Jacuí. Porém, não corresponde à verdade dizer que o abastecimento de água na cidade não é afetado. Pois a combinação de pouca chuva, calor e poluição favorece a proliferação de algas, que além de darem uma tonalidade esverdeada à água, também a deixam com gosto ruim e cheiro forte.

Apesar do tratamento remover os poluentes, o cheirinho e o gostinho “de terra” não saem, e é sentido quando se toma um chimarrão ou um café feito com água da torneira.

Tal situação acontece agora, e o Kayser a retratou de forma genial.

Eu também não gosto de sushi...