Os ex-esquerdistas são os piores

Em artigo publicado no Vi o Mundo, Gilberto Maringoni lembrou uma frase do escritor Marcos Rey, que dizia não gostar de dois tipos de pessoas, os ex-comunistas e os ex-fumantes, “porque ambos são metidos a dar conselhos”.

Contra ex-fumante, eu não tenho nada. Odeio cigarro e aquela maldita fumaça intoxicante. (Mas não pensem que eu votarei no Serra!)

Agora, ex-comunista é algo realmente terrível. E não só eles: qualquer pessoa que já foi esquerdista, e deixou de sê-lo, costuma tornar-se reacionária ao extremo, aquela com quem nem vale a pena falar sobre política. Confirma-se assim aquele velho ditado: “o pior reacionário é o esquerdista recalcado”.

Sério: é mais fácil conversar com quem sempre foi de direita, do que com um ex-esquerdista. Afinal, o conservador “desde criancinha” não usará o surrado clichê “eu amadureci” – até porque, não esqueçamos, ele sempre foi “maduro”! Ele não sairá dando conselhos baseados “em experiência própria” que querem dizer “não adianta, eu amadureci e obviamente tu vais amadurecer e aprender” (o que significa passar a ter ódio mortal de tudo que lembre a esquerda), como se todas as pessoas tivessem de seguir o mesmo caminho.

Já o reacionário, muitas vezes era esquerdista quando jovem. Na época, diz querer “acabar com o sistema”, mas depois que se passam uns anos, procura se adaptar a ele para sobreviver. Porém, ao invés de ficar p da vida por ter de se esgotar em um emprego que detesta para ter algum dinheirinho, passa a acreditar que “trabalhando muito, um dia chega lá”. E que quem é pobre ou de esquerda é “vagabundo que não quer trabalhar”.

Repare que usei o termo “esquerdista”, e não “de esquerda”, pois há diferenças. Quem é de esquerda tem plena convicção de defender um mundo mais justo, onde o “ser” seja mais importante que o “ter”, em que a solidariedade esteja acima da competitividade extrema que é estimulada pelo capitalismo.

Já o esquerdista não é uma pessoa lá muito convicta: diz ser contra “o sistema”, contra tudo que está aí, porém, de tanto ser contra, não é a favor de nada. Pode muito bem se tornar uma pessoa de esquerda, mas também há o risco de “degringolar” – e aí surge mais um reaça.

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11 comentários sobre “Os ex-esquerdistas são os piores

  1. Eu não me lembro quem foi que disse que era melhor um inimigo declarado do que um falso amigo. Mas cabe um pouquinho na ideia desse texto.

    Pior do que um indivíduo isolado que era de esquerda e “amadurece” é quando isso acontece com organizações inteiras como sindicatos e partidos políticos.

    Para entender um pouquinho sobre porque isso acontece com algumas organizações de esquerda, sugiro a leitura da História do SPD alemão e ver como que um partido de origem operária e que lutou bravamente na segunda metade do século XIX foi terminar capitulando ao apoio a I Guerra e até sendo cúmplice do assassinato de Rosa Luxemburgo no início do século XX.

    O SPD, e praticamente toda a chamada “socialdemocracia” européia, aplicam hoje os planos de ajustes neoliberais contra o povo. Vejam a atual situação da Grécia, por exemplo; o apoio do PS francês à União Européia; ou lembrem de políticos como Felipe Gonzalez.

  2. Esquerdistas sofrem de complexo de inferioridade por isso tornam-se reacionarios quando percebem o quanto e sofrida a vida de um esquerdista. Ja o reacionario sempre sera reacionario porque sabe que mais vale ser um direitista convicto do que um esquerdista recalcado.

    • Acho que isso é muito relativo. Se esquerdista tem complexo de inferioridade, direitista tem mania de grandeza? Desta forma, devemos considerar Stalin como um direitista.

      E é bom diferenciar “esquerdista” de “de esquerda”, que conforme falei, são coisas diferentes. A propósito, acho que também é possível diferenciar “direitista” e “de direita”, em que o “direitista” é o reacionário, o “esquerdista recalcado”, enquanto o “de direita” é o conservador não raivoso (que sabe os momentos em que deve ceder, mesmo que signifique entregar os anéis para não perder os dedos).

  3. Stalin era um esquerdista recalcado que virou reacionario nas suas acoes. Com isso tornou-se um dos ditadores mais crueis que a historia ja viu perdendo so para hitler que tambem tinha ideias de esquerda. Ambos eram contra o sistema e nao hesitavam em momento algum de defender seus ideais. A historia acabou mostrando que eles estavam errados e hoje sao apenas vestigios de um passado distante.

    • Hitler “de esquerda”? Por favor, Renato… Ele era tão “esquerdista” que tinha o apoio de várias grandes corporações alemãs e mesmo estrangeiras.

      O nazismo (extrema-direita) não pretendia acabar com o capitalismo, e sim, salvá-lo. Não esqueçamos que o fascismo europeu (do qual o nazismo era a vertente alemã) ganhou muita força no momento em que o capitalismo enfrentava uma grave crise (1929), e havia o temor de que a grande massa de desempregados devido à crise aderisse ao comunismo e assim se tornasse uma verdadeira ameaça à sobrevivência do sistema.

      Sem contar que quem defende um mundo mais justo e igualitário (ou seja, a esquerda) não pode compactuar com o racismo – uma das principais características do nazi-fascismo. Aliás, ele era totalmente anti-comunista.

  4. Eu nao disse que hitler era de esquerda e sim que tinha ideias de esquerda como estabelecer a reforma agraria a nacionalizacao de empresas estrangeiras etc. Tanto que o nome do partido era Partido Nacional-socialista dos trabalhadores alemaes.

    • Que eu saiba, o nazismo não tinha tais medidas como seus objetivos (talvez eu não saiba mesmo). Mas, sendo verdade, não faz da reforma agrária uma “medida nazi-fascista”, assim como nem todo nacionalista é fascista (Brizola era nacionalista mas não um fascista – muito pelo contrário).

      Quanto ao nome do partido, o “socialismo” estava só no nome mesmo. Assim como Slobodan Milosevic (ex-ditador da Sérvia) era do PC sérvio (que era parte da Liga dos Comunistas da Iugoslávia), que se transformou em Partido Socialista da Sérvia. Mas o que Milosevic e seus seguidores fizeram com as minorias étnicas na Sérvia não tem nada de socialismo, e sim, de fascismo.

  5. Camarada Rodrigo parece q depois do Jubão surgiu outro direitista, menos histriônico, para nos alegrar… KKK

    Sinceramente ñ sei se havia no programa dos nazistas a reforma agrária e nem se ela foi implementada por eles. Mas se eles tinham essa intenção, e se essa ideia deva ser considerada exclusiva da esquerda, então significa q os EUA qdo fizeram a reforma agrária no Japão com as suas próprias tropas eram de esquerda?

    Por aí a gente vê o tamanho do atraso ideológico dos direitistas tupiniquins e seus simpatizantes. A reforma agrária, por si só, não constitui uma medida socialista, para ser socialista teria de haver a coletivização da propriedade e ñ a formação de pequenas propriedades privadas. Mas nem isso eles aceitam!

    Parece q teremos uma temporada de mtas risadas no Cão Uivador! KKK

  6. Pingback: Carlos Lacerda, o comunista « Cão Uivador

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