Romênia: afinal, a Securitate resistiu?

Semana passada, escrevi sobre os acontecimentos de 1989 na Europa Oriental, citando também a revolta popular que derrubou a ditadura de Nicolae Ceausescu na Romênia.

Segundo a versão mais difundida, a resistência proporcionada pelas forças da Securitate (polícia secreta) foi responsável por milhares de mortes. Além disso, Elena e Nicolae Ceausescu foram fuzilados sob a acusação de genocídio, baseada no descobrimento de corpos maltratados enterrados em fossas comuns na cidade de Timisoara – onde se iniciaram as manifestações de dezembro de 1989.

Porém, segundo um interessante texto de Ignacio Ramonet sobre a “guerra da informação” que acompanha os conflitos armados, trata-se justamente de uma versão difundida por muitos jornalistas que estavam na Romênia na época, e que não seria a mais verdadeira. Segundo Ramonet, a Securitate não foi tão fiel a Ceausescu, e os corpos encontrados em Timisoara eram de pessoas pobres mortas acidentalmente, e não de vítimas da repressão.

Possivelmente o único fato incontestável sobre a queda de Ceausescu seja que foi a “exceção que confirma a regra” acerca do colapso dos regimes socialistas burocráticos da Europa Oriental: enquanto os vizinhos realizaram uma transição pacífica e por iniciativa própria (mesmo que devido a protestos nas ruas), a Romênia teve seu governo derrubado por uma revolta popular.

Ao mesmo tempo, a derrubada de Ceausescu confirmou outra regra, e esta parece não ter exceção: que em conflitos armados, a primeira vítima é a verdade.

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