Filmes que valem a pena serem assistidos

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Quando vi o cartaz, na UFRGS, na hora “me agendei”.

Já assisti ao filme alemão “Uma cidade sem passado” (1990) na faculdade. A personagem principal é Sonja, uma estudante que decide pesquisar como era sua cidade na época do nazismo. Porém, os moradores não parecem muito dispostos a colaborar com a pesquisa de Sonja. Quem puder, se desloque à Sala Redenção da UFRGS, pois não é um filme fácil de se achar em Porto Alegre. E a palestra de sexta na Letras & Cia deve ser ótima, também vale a pena.

Outro filme que merece ser assistido (eu vi na terça-feira passada) é o argentino “A história oficial” (1985), que recebeu vários prêmios, inclusive o Oscar de “Melhor filme estrangeiro” – única produção latino-americana a conquistá-lo. A personagem principal é Alicia, uma professora de História, de classe média, que não questionava sequer o conteúdo das aulas que ministrava a seus alunos, se preocupando tão somente em viver tranquilamente com seu marido e sua filha adotiva. A história se passa em 1983, quando a Argentina vivia um período conturbado: crise econômica, sentimento de humilhação pela derrota na Guerra das Malvinas, e também começavam a vir à tona os horrores da mais assassina ditadura da História da América, responsável pela morte e desaparecimento de mais de 30 mil pessoas.

Quando uma velha amiga retorna de um período vivido fora da Argentina, conta a Alícia o real motivo pelo qual deixou o país: foi exilada, por ter sido perseguida pelo regime militar. E também revela muitos horrores da ditadura, dentre eles o roubo de filhos dos militantes de esquerda para serem entregues a outras famílias e assim terem “uma educação ordeira” (ou seja, que aprendam a não contestar nada). A partir deste momento, Alícia começa a questionar suas certezas não só sobre a História, como sobre sua própria família.

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6 comentários sobre “Filmes que valem a pena serem assistidos

    • Um aviso: só vai passar amanhã “Uma cidade sem passado”.
      “A história oficial” eu assisti também no cinema universitário (era parte do Simpósio Internacional Centro, Periferia e Análise Histórica – a propósito, foi falha minha não ter divulgado mais). Mas acho que esse filme deve ser mais fácil de achar, já que ganhou até Oscar.

  1. Este filme da professora q o camarada relatou aqui me lembrou um pouco alguns professores da UFRGS (e q ñ são poucos), ñ q eles ñ liguem para o momento político, mas a sua atitude de bombardeio – às vezes com críticas rasteiras e infantis – à todas as teorias acaba por reforçar o ceticismo em um setor crítico da sociedade, em um momento em q o ceticismo ñ é pouco no país.

    Tal atitude acaba sendo funcional ao sistema, pois se nada presta seria em vão lutar por alguma coisa.

    Para mim e para outros pode passar batido, mas tem gente lá q tem uma postura crítica ao sistema e está tateando alguma coisa, daí chega na Universidade e se depara com uma desconstrução monstruosa de tudo e de todos, e daí saíra de lá com a idéia de q nada serve, nada presta e portanto ñ lutará por nada, deixando as coisas como estão.
    Isso sem falar em um certo revisionismo vergonhoso q alguns professores têm feito de algumas teorias e alguns autores.

  2. Ah esqueci de falar de outro sintoma q vem atingindo alguns docentes e algumas pessoas ditas esclarecidas: a nacionalização dos descalabros do capital.

    Essa linha de raciocínio ignora, ou minimiza, q em outros países (inclusive de Primeiro Mundo) haja corrupção, desemprego, o querer levar vantagem e etc.

    Assim o corrupto (ou o mais corrupto), o preguiçoso para o trabalho, o q quer levar vantagem em tudo, é só o brasileiro.
    Ou o camarada Rodrigo já ñ se deparou com isso lá no Vale? KKK

    • Já li um texto a respeito da permanência de uma “mentalidade aristocrática” no Brasil – a consequência disso seria o famoso “QI”. O país seria politicamente republicano, mas mentalmente aristocrático.
      Se levarmos em consideração que o Brasil não foi o único (nem o último) país do mundo a ter regimes aristocráticos… Claro que as realidades variam de país pra país: na Europa as diversas monarquias não caíram pacificamente: boa parte delas terminaram com a Primeira Guerra Mundial.
      Já li diversas vezes que o Brasil é corrupto, mas existem inúmeros países mais corruptos. Segundo o ranking do Índice de Percepção de Corrupção, há mais corrupção na Argentina do que no Brasil.

  3. Camarada Rodrigo sobre corrupção, você sabia q em vários países da União Européia o Primeiro Ministro é PROIBIDO de ser investigado pela Justiça?

    Recentemente o Berlusconi conseguiu aprovar uma lei q o imuniza, exatamente dizendo q em outros países da União Européia já era assim. Assim q a lei passou os processos de corrupção q corriam contra ele foram congelados. Daí como é q o tal “Índice de Percepção de Corrupção” trata disso?

    Outra coisa: nos EUA todo mundo sabe q os grupos econômicos q financiaram determinado candidato serão agraciados se ele se eleger, e ninguém se escandaliza com isso, ou seja, a corrupção lá virou institucionalizada. A Halliburton, empresa q foi presidida pelo vice do Bush, o Dick Cheney, é uma das empresas q mais faturou no Iraque. Os americanos se indignaram contra ela?

    Eu prefiro discutir corrupção junto com o modelo econômico. Ainda q se diga q em outros sistemas houve corrupção, eu afirmo sem medo de errar q o capitalismo neoliberal dá de goleada em qq outro sistema em termos de corrupção, a sua forma de funcionamento exige a corrupção: começa com o financiamento privado dos políticos, depois os empresários precisam comprar leis, licitações, etc tudo dentro da lógica da competição desenfreada entre eles, sem contar o individualismo exacerbado e os conceitos de felicidade apregoados pelo neoliberalismo q permeiam toda a sociedade.

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