Sugestão ao MST e à Via Campesina

O Hélio Paz postou no blog dele um vídeo no qual fala sobre as estratégias de luta dos movimentos sociais como o MST e a Via Campesina. Sugere que ao invés de focarem suas ações na ocupação* de terras improdutivas e/ou de plantações de eucaliptos (em geral, derrubando as árvores), os movimentos deveriam procurar se inserir entre a população urbana, maioria esmagadora dos brasileiros. Poderiam ensinar os moradores de favelas a plantarem, já que estes moram em terrenos pequenos mas têm algum espaço para plantio. Assim, viveriam do que plantam: se alimentariam e venderiam o excedente.

A opinião do Hélio a respeito dos movimentos sociais – aos quais ele declara total apoio, é importante ressaltar – gerou um bom debate sobre o assunto com o Guga Türck no Alma da Geral. O Guga defende a estratégia adotada pelos movimentos.

A minha opinião? Eu também apoio irrestritamente os movimentos sociais, e acho que terra improdutiva tem mais que ser ocupada* mesmo (e plantação de eucalipto pode ser considerada terra improdutiva, visto que não gera empregos e ainda é extremamente prejudicial ao meio ambiente). Mas, assim como o Hélio, acho que o MST e a Via Campesina adotam uma estratégia equivocada ao não procurarem se inserir, obterem apoios na cidade. A representação de tais movimentos na “grande” mídia é a mais negativa possível: é preciso se aproximar da população urbana para ela perceber que a mídia distorce a realidade.

Atualmente, ações como trancar o trânsito em ruas e estradas, greves, ocupações de terras ou prédios públicos, geram mais antipatia do que simpatia da classe mérdia. Pois os mérdios, ao volante de seus carros, vêem tais mobilizações como “baderna”, reclamando que demoram mais para chegar a seu destino por causa de “vagabundos que não querem trabalhar”. E o discurso da mídia corporativa é dedicado justamente a esse tipo de pessoa.

É preciso lutar usando as mesmas armas do adversário. Na sociedade atual, altamente midiatizada (os assuntos cotidianos geralmente passam pela mídia), não adianta simplesmente querer lutar contra a mídia: é preciso saber se utilizar dela a seu favor. E isso não se faz com “babação de ovo”, e sim, com o uso de meios como a internet e a TV Brasil (que precisa urgentemente ter sinal para o Rio Grande do Sul, de maneira a tentar furar o domínio da RBS). O Coletivo Catarse, por exemplo, já produziu reportagens que foram ao ar na TV Brasil – que é pública e não busca apenas ter o máximo de audiência, e sim, passar informação que a mídia corporativa não tem interesse.

————

* Ano passado, em uma aula de Antropologia, foi discutida a questão do termo “invasão” utilizado para se referir às ações do MST. “Invasão” tem uma forte carga negativa associada: passa a idéia de entrar em espaço alheio – mesmo que sejam terras improdutivas, vazias. Enquanto “ocupação” tem seu significado em si mesmo: um espaço não-ocupado deixa de sê-lo. Não por acaso, a mídia corporativa utiliza sempre a expressão “invasão”.

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13 comentários sobre “Sugestão ao MST e à Via Campesina

  1. Lamento profundamente a linha da direção do MST de seguir apoiando o Governo Lula q esteve o tempo todo de joelho para o latifúndio, o agronegócio, os usineiros (“seus heróis”) e como obviamente ñ é possível acender vela para dois santos, ñ avançou na reforma agrária.

    Por último Lula ainda colaborou com a campanha fascistizante da direita e da mídia dando declarações em q ataca o MST.

  2. Prezado Rodrigo, depois de todo o episódio do “ditabranda”, ao ler um pouco mais as mensagens de seu blog, fica claro a sua ideologia política. Não vou ficar aqui falando sobre isso, questionando os atos do MST, que ao meu ver é criminoso e desordeiro ao promover a invasão (com toda a carga negativa que essa palavra possui) de propriedades alheias, pois tenho certeza de que discordamos sobre a legalidade deste movimento, e ficaremos aqui num círculo interminável de discussão…

    Mas o que me chamou mais a atenção foi você usar o termo classe “mérdia”, um absurdo na minha opinião. O que leva você a usar esse termo ofensivo para se referir à essa classe da sociedade? Eu não sou pobre, pois não estou morando em favela sobrevivendo com salário mínimo e condições precárias, tampouco sou rico, vivendo em uma mansão com uma fortuna de milhares de reais, como muitos políticos de esquerda que hoje estão no poder.

    Me considero de classe média sim, pois estou entre essas duas condições, com um trabalho que me proporciona renda para ter uma vida razoável, mas tendo que fazer meus sacrifícios também: além de ter que pagar por uma série de serviços que deveriam ser proporcionados pelo governo com o dinheiro dos impostos que eu pago, como plano de saúde (impostos aliás que boa parte dos pobres não pagam, como IPTU, e muitos ricos sonegam), me privo de uma série de coisas que no momento não tenho condições financeiras de manter ou fazer (não tenho carro, vivo de aluguel, faz anos que não viajo…).

    E posso ter certeza que muitos de seus leitores e colegas também fazem parte da classe média, que certamente se sentiriam ofendidos como eu com o seu comentário. Curioso como há poucas semanas você estava aqui criticando um termo tido como ofensivo usado por um jornal e agora está fazendo o mesmo…

    Com isso, deixo aqui a pergunta: a qual classe você pertence, Rodrigo? Pois tenho a impressão que você deve estar na mesma “mérdia”…

    • Uso o termo “classe mérdia” para me referir àqueles que não são elite, mas pensam que são, conforme comentário deixado no dia 2.
      Dá até para melhorar a definição: a “classe mérdia” é formada por pessoas de classe média que são extremamente individualistas. Se tem protesto fechando o trânsito, reclama que são “baderneiros que não querem trabalhar e atrapalham quem quer”. Acham que quem é pobre, é porque “não quer trabalhar”, quando não é preciso fazer nenhum esforço mental sobre-humano (acho que mesmo depois da reforma ortográfica, nesse caso o hífen continua) para ver que as coisas não são assim tão simples. Acham que a solução para a violência é a legalização da pena de morte (cuja maior prova de ineficácia é o próprio fato de ser aplicada onde ela é prevista em lei, o que significa que não inibe a criminalidade) e redução da maioridade penal.
      Respondendo à tua pergunta: eu sou sim de classe média, assim como a maioria dos meus amigos.
      Mas a expressão “classe mérdia” não é ofensiva à classe média, exceto a quem servir o chapéu.

  3. PARABÉNS TEXUGO pelo comentário, nos dias de hoje PARA ROUBAR E MATAR NÃO FALTA DESCULPAS (só bastam ouvir as musicas hoje em dia como incentivam a violência).
    Meu pai e minha mãe já moraram em casa feita de barro e piso de chão de terra batida, e hoje temos uma casa de dois andares para morar (com muita luta e trabalho suado). A exemplo deles eu estou lutando para fazer minha faculdade de administração na eadcon: http://www.eadcon.com.br/
    Peguem meus pais como exemplo, e não políticos que ficam ricos da noite para o dia com belos discursos na boca e com seus famosos jeitinhos de se concequir as coisas de maneira fácil !!!!! E colocando culpa dos nossos problemas no outros ..
    TEXUGO isso o que eles fazem é normal para forçar pensamentos , olhem a citação: ““classe mérdia” para me referir àqueles que não são elite, mas pensam que são”. Isso serve para persuadir pessoas de baixa auto-estima apensarem igual a eles. Concordo que toda unanimidade é burra e fruto de manipulação.
    SÓ PORQUE A BURGUESIA ROUBA NÃO SOU OBRIGADO A ROUBAR TAMBÉM!!!
    Viva a malandragem brasileira e o jeito fácil de se conseguir a coisas . Uma salva de palmas :-) “-” 0_O para nós pois merecemos…

  4. Eu ganho r$ 500,00 por mês sem carteira assinada , trabalho e moro com meus pais , não por isso to roubando nem mantando niquem !!!!
    Viva a liberdade de pensamento , que dever ser algo que você não deva cultivar muito .
    Classe mérdia = todo mundo que pensam diferente do meu grupo .
    Na minha cidade usam algo mais ou menos parecido com essa tal de classe mérdia : – Quem é jovem e não curti um basiado é chamado de CARETA, X9, CHATO!!!!! Alguma coincidência. Falta de opinião própria é triste.

  5. Eu li o texto .
    Por quer vocês apóiam tanto assim a violência !!!!! Já não bastou tanta morte que o comunismo espalhou na terra , tento como seus principais defensores : Adolf Hitler e Karl Marx em seu livro , Manifesto comunista. De gente de boa vontade o inferno tá cheio .
    Eu quero igualdade social , eu quero igualdade de oportunidades , eu o fim dos grandes milionários em paralelo com tanta gente passando fome .
    Não existe só uma maneira de lutar contra as desigualdades sociais , a prova disso temos o MARTIN LUTHER KING que apos ser humilhado e morto , deixou um legado no U.S.A. , e apos 40 anos disso vemos que seu sonho era possível e como prova disso um negro foi eleito presidente naquele país com grande aprovação do população nacional quanto mundial . http://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Luther_King_Jr.
    Então para que derramar mais sangue !!!! Que exemplo estamos deixando para nossos filhos !!!!

    • O Jorge Vieira tinha razão: eu tenho muita paciência. Comentários cheios de bobagens, eu podia simplesmente deletar e fazer de conta que nem existiram. Mas vou (pela última vez) responder ao Fabiano.
      1) Não sou eu que apóio a violência. É só ler meus posts antigos, em que critico (um monte) a repressão policial a movimentos sociais. É ridículo acusar pessoas que têm como armas no máximo uma foice, de agredirem fazendeiros que tem espingardas – e que quando não dão conta do recado, tem a polícia (com suas armas de fogo) para “salvar” o negócio.
      2) Não foi “o comunismo” que provocou “tanta morte na terra”, pelo simples fato de que jamais existiu um país comunista. O que se viu no século XX foram diversos países que adotaram regimes socialistas, cujos objetivos eram, na teoria, chegarem ao comunismo (na prática, o que se viu foi bem diferente). Logo, acusar “o comunismo” de ter matado milhões de pessoas é uma boa piada.
      3) O item anterior é uma boa piada, a excelente é esta: “Hitler, defensor do comunismo”… Hitler odiava o comunismo.

      De resto, concordo que não existe uma só forma de se lutar contra as desigualdades sociais. Mas repetir surrados bordões a respeito de movimentos sociais e teorias, não ajuda em nada para a melhoria do mundo. Aliás, contribui é para mais derramamento de sangue.

  6. Camarada Rodrigo, o cara lá de cima provavelmente ñ conheceu a Lei de Terras no Brasil q concentrou a propriedade rural no país, onde as elites (e só elas) compravam ou falsificavam títulos de propriedade enqto q os pqnos proprietários (alijados do processo político) q ñ tinham como apresentar títulos eram expulsos de suas terras, e aí quer vir falar em legalidade ou ñ do MST? Assim como provavelmente ñ conheceu o q foi o brutal processo de concentração de terras na Inglaterra na chamada Lei dos Cercamentos.

    Veja q nestes dois casos estão juntos a legalidade e a violência contra os mais fracos. Tema q foi levantado aqui.

    Violência q é utilizada constantemente pelas oligarquias sempre q necessitam ampliar ou manter seus privilégios, estão aí as guerras imperialistas como do Iraque e do Afeganistão q ñ me deixam mentir.

    Violência q foi levantada no nosso país em 1964, qdo um governo reformista foi acusado de comunista por querer implementar as mesmas reformas q desenvolveram a Europa Ocidental CAPITALISTA e o Japão e a Coréia do Sul.

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