Documentário: “Criança, a alma do negócio”

Excelente dica achada no Dialógico: o documentário “Criança, a alma do negócio”, dirigido por Estela Renner, trata sobre a publicidade que é dirigida às crianças no Brasil. Abaixo, o trailer:

O texto abaixo foi copiado da página do Instituto Alana:

Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?

Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que umn adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumas. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

Para baixar o vídeo completo, clique aqui.

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Não só a publicidade “infantil” (ou seja, que anuncia produtos destinados àquele público em específico), como também a publicidade “normal” influencia as crianças.

Muitas crianças conhecem marcas de cerveja por causa daquelas propagandas engraçadinhas, tipo as da tartaruguinha que faz embaixadinhas (veiculadas durante a Copa de 2002), ou com outros bichinhos. Começam a falar de assuntos nada adequados para sua idade, graças à televisão. Cada vez mais vemos crianças que deveriam estar brincando, se transformando em verdadeiros “adultos em miniatura”: trocando de celular até mais de uma vez por ano, meninas com menos de 10 anos maquiadas e calçando salto alto…

E o pior de tudo, é que muitos pais se percebem em uma situação terrível. Não querem fazer todas as vontades dos filhos – para não deixá-los mal-acostumados – mas ao mesmo tempo não têm muito tempo para conviverem com as crianças, devido aos muitos compromissos profissionais. Resultado: a “babá eletrônica” (televisão) acaba tendo mais influência sobre as crianças do que os próprios pais.

Então, elas querem sempre um brinquedo, uma roupa, um tênis novo (um dos meninos mostrados no filme tem em seu armário mais tênis do que eu tive nos últimos 20 anos). E logo que ganhem, querem outro. Por um motivo simples: se não tiverem nada de novo para mostrar por muito tempo, acabam se sentindo excluídas da turminha de amigos. E os pais acabam cedendo ao desejo das crianças.

Chega a parecer “coisa de velho”, mas “no meu tempo” (ou seja, quando eu era criança, e isso nem faz tanto tempo – menos de 20 anos), meu pai e minha mãe não davam tudo o que eu pedia. E quando eu ganhava algum presente, sempre devia dividi-lo com o meu irmão – e de nada adiantava eu protestar. Egoísmo não fez parte da minha educação.

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11 comentários sobre “Documentário: “Criança, a alma do negócio”

  1. Nossa, é de arrepiar… Mas faz várias fichas “caírem”. Minha vontade é escrever um texto enorme, mas como é só um comentário…

    A frase “as pessoas só aprendem quando dói no lugar mais precioso: o bolso” caiu em desuso pois os pais não se dão conta que estão trabalhando para jogar dinheiro fora. Chego à conclusão que isso é culpa da violência (que ironia, a melhor arma para este combate é a educação!).

    Os pais começaram a trabalhar mais para oferecer um lugar mais seguro para seus filhos pois a rua é perigosa. As crianças já não podem mais andar de bicicleta, skate, jogar bola; ficam em casa brincando com alternativas longe da maldade.

    “Ah, filhinho, a mamãe tem que trabalhar para manter a segurança 24hs do prédio, o carro blindado, a escola de turno integral com alimentação incluída (sim, eu não vou precisar empurrar comida goela abaixo em você). Não posso brincar com você agora; fique vendo televisão que é mais seguro do que ir brincar com seus amiguinhos na rua.”

    A televisão não vai te assaltar, não vai dar cicatriz em seus joelhos por cair brincando de bolinha de gude, não suja sua roupa, não deixa você se afogar ou levar uma bolada na cara e nem te dá beliscão por você não querer brincar de esconde-esconde com ela. Ela é inofensiva e só quer uma coisa em troca: a sua inocência.

    Que futuro estamos construindo para nossas vidas?

    • Eu diria que mais que da violência, a culpa é do medo da violência.
      Pois quando nós éramos crianças, já existia violência (meu pai já foi assaltado inúmeras vezes desde os anos 70), mas não o medo dos dias de hoje. Lembro que meus pais diziam para tomar cuidado, para não falar com estranhos. Um amigo meu teve a bicicleta roubada porque um guri pediu para dar uma volta, e ele patetamente emprestou… Espera até hoje que o guri volte, hehehe.
      Cria-se um “círculo vicioso”. Por medo da violência, os pais não deixam as crianças brincarem nas ruas. E ruas vazias são muito mais perigosas do que aquelas onde há gente para inibir a ação de criminosos: quanto menos gente para testemunhar, melhor para o ladrão. E assim vai…

  2. Ah, lembrei de algo que eu havia lido no livro Freakonomics de Sthepen Dubner e de Steven Levitt: o poder dos iguais. Não são os pais ou os professores responsáveis pela (des)educação e formação da personalidade de crianças e jovens e sim os colegas e amigos. Vale a pena ler

  3. A sociedade de consumo não pode deixar nenhum centímetro exposto. Precisa englobar tudo, até as crianças. Curiosamente, dar tudo para um filho virou símbolo de status social para os pais… seria patético, se não fosse trágico!

  4. Lembro (faz muuuuito tempo, final dos anos 70 ou início dos 80) de um comentário de um colega que após ver uma campanha publicitária da agência onde eu trabalhava, destinada para as crianças:
    “Muito bom. Mas na Inglaterra não seria veiculada!”

    Aí ele explicou que lá a publicidade proibia até cenas com atores crianças, além de precisar ser previamente analisada antes de ser veiculada.
    Ele tinha viajado a serviço pela Europa e tinha ficado muito impressionado com a ética publicitária inglesa, especialmente a publicidade para crianças.

    Não sei o que mudou, mas dá uma olhada:
    http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Legislacao.aspx?v=3&tipo=mundo&lid=10
    http://www.mp.rs.gov.br/consumidor/noticias/id7126.htm?impressao=1&

  5. não podemos esquecer que após a ditadura foi proibido qualquer tipo de censura na imprensa e consequentemente na publicidade brasileira. tudo em nome da liberdade de expressão.

    falando em cicatrizes, ainda hj depois de “grande” eu consigo algumas em função das minhas “artices” andando de roller. E sinceramente, prefiro correr o risco de ter outras do que deixar de fazer q eu gosto!

    • É verdade.
      Sou contra a censura que havia no regime militar (em que para se criticar o governo era preciso fazê-lo nas entrelinhas, e torcer para o pessoal da censura não entender o sentido). Mas se exagerou na “liberdade”: o que temos é a “libertinagem de expressão”, em que alguns (como as empresas de mídia e as agências de publicidade) podem tudo.
      E o pior é que quando se propõe em algum tipo de regulação (como a classificação indicativa), eles gritam, reclamam de “censura”. Tudo para que possam continuar estimulando as crianças ao consumo desenfreado, mostrando coisas não adequadas à idade delas…

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