“Ditabranda”?

Como a maioria dos leitores já deve saber, no dia 17 de fevereiro um editorial do jornal Folha de São Paulo, escrito para atacar Hugo Chávez, chamou a ditadura militar de 1964-1985 de “ditabranda”.

A ditadura brasileira pode ter feito menos gente desaparecer do que a argentina ou a chilena, mas chamá-la de “ditabranda” é ofender qualquer um que conheça História. É de uma covardia tremenda. Ainda mais que o meu pai era jovem durante o período mais repressivo, e sentiu na pele a “brandeza” do regime. Como ele me contou, diversas vezes o colégio que ele estudava, o Júlio de Castilhos, foi cercado pela Brigada e pelo Exército durante atos estudantis, e sem chances de não apanharem, os colegas e ele “escolhiam” de quem iriam levar porrada: se não me engano, a Brigada tinha cassetetes com borracha, que “chupavam” a pele, enquanto o Exército usava de madeira, que doía menos.

E quando os professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides escreveram cartas ao jornal criticando o uso do termo, foram xingados de “cínicos e mentirosos” pelo mesmo.

ditabrandaDiante de tal absurdo, o Eduardo Guimarães, que é presidente do Movimento dos Sem-Mídia (MSM) convocou um protesto diante da sede da Folha para o próximo sábado, 7 de março, às 10 da manhã. Se eu pudesse, iria a São Paulo só para participar do ato, mas não será possível. De qualquer jeito, junto com outros blogueiros procurarei repercutir o máximo possível a manifestação.

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12 comentários sobre ““Ditabranda”?

  1. Olha, em primeiro lugar tal comentário da Folha foi feito em seu editorial, que é um espaço para que o jornal expresse a sua opinião. Onde está a liberdade de expressão que vocês tanto defendem? Se a Folha tem uma opinião diferente da sua, é justo que ela seja condenada como se tivesse dito uma atrocidade? Isso pra mim me parece censura…

    E vou concordar com a resposta dada pelo jornal aos professores. Afinal de contas, esses professores que se dizem inflamados defensores dos Direitos Humanos nada dizem a respeito de outras ditaduras como a de Cuba e tantas outras. Se você condena a ditadura como regime, deve condenar todas as ditaduras, inclusive aquelas de esquerda.

  2. Onde está a liberdade de expressão que vocês tanto defendem?
    A Folha tem direito à expressão em seu editorial, e nós cidadãos temos o direito de criticar e protestar. Afinal, isso também é liberdade de expressão. E dizer “ditabranda” é sim uma atrocidade – passa a impressão de que não vivemos um regime autoritário, pois ele pode não ter sido tão assassino quanto o da Argentina (onde morreram e desapareceram 30 mil pessoas em apenas sete anos e meio), mas não se tinha a liberdade de expressão que julgas ser atacada pelo simples fato de que há pessoas a exercendo, criticando o editorial de um jornal.
    E uma coisa é responder, outra é atacar com grosserias, como o jornal fez. Sem contar que a questão em debate era a ditadura brasileira, não a cubana.

  3. Prezado Rodrigo, sob meu ponto de vista as cartas dos professores em resposta ao jornal não foram menos grosseiras, ao condenar com tanta severidade o termo usado pelo jornal, ao dizer por exemplo que o autor do editorial deveria “ser condenado a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro”. É como se o editorial tivesse trazido um absurdo gigantesco, como dizer que 2+3 é igual a 8.

    Tenho visto muitas respostas como a que você apresentou, dizendo que o foco da discussão é a ditadura brasileira, e não a cubana. Mas levanto a seguinte dúvida: qual é o alvo da crítica, a ditadura como regime ou a ditadura brasiliera? Se o problema era a ditadura brasileira, o que dizer de outras ditaduras?

    Sinceramente, ao ver que os mesmos que lutaram e criticaram a ditadura militar nunca exclamaram uma palavra de revolta durante meio século contra o regime castrista, dá a impressão de que o problema não era a ditadura em si, mas apenas quem estava à frente dela. Será que se os militares tivessem sido derrubados e uma ditadura de esquerda tivesse se estabelecido em nosso país (como aconteceu em Cuba), será que seria tão bom assim?

    Em nenhum momento eu estou negando que tenha havido a ditadura, e tampouco acho que seja correto dizer que ela foi branda. Mas acho que é uma postura hipócrita apontar o erro de uns e ignorar ou exaltar o mesmo erro cometido por outros.

  4. Mario, o seu comentário agressivo contra a minha pessoa só mostra que realmente a liberdade de expressão é um mito, que se uma pessoa tem uma opinião diferente da sua você tem o direito de xingá-la ou ridicularizá-la.

  5. Ao Texugo:

    Primeiro, em relação ao comentário do Mario: não é “agressivo à sua pessoa”, pois utilizas um apelido. Seria diferente de se fazer algum trocadilho com o teu nome verdadeiro. A não ser que sejas mais conhecido por teu apelido do que por teu nome na vida REAL, não na VIRTUAL (há quem me chame de “Cão”, mas sabe que meu nome é Rodrigo).
    Em relação à questão “Folha-ditadura/’ditabranda'”, não mudo uma palavra do meu comentário anterior.
    Sem contar que Cuba divide opiniões: há defensores e detratores fervorosos do regime cubano. Em geral, ambos não conhecem a realidade de Cuba. Pelo que sei, o país peca pela falta de liberdade, mas em compensação tem indicadores sociais superiores ao Brasil. Quem me dera a ditadura brasileira tivesse sido como a cubana…
    Pois qual foi a herança deixada pelo regime daqui? Economia em frangalhos, pior distribuição de renda do mundo, aumento da favelização e do domínio do tráfico nas favelas (já que o Estado estava mais preocupado em caçar comunistas do que em dar assistência aos pobres)…
    Quanto aos professores: quando alguém se sente atingido, acaba até sendo um pouco grosseiro em sua reação. Ora, neste caso se trata de profissionais que sabem que a ditadura brasileira não foi “branda”, pois passaram por ela. Eu praticamente não vivi os anos da ditadura (nasci em 1981), mas meu pai viveu e a experiência dele não foi nada agradável…

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