Os melhores parlamentares, segundo o “Congresso em Foco”

A página Congresso em Foco, que divulga notícias relacionadas com o parlamento brasileiro, publicou a lista dos melhores parlamentares de acordo com o voto dos jornalistas que trabalham no Congresso. A classificação final será decidida pelo voto do internauta.

Considerando que quatro dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre estão na Câmara de Deputados, não custa nada verificar em que posição cada um deles se encontra:

  • Maria do Rosário (PT) – 5º lugar (38 votos)
  • Luciana Genro (PSOL) – 6º lugar (33 votos)
  • Manuela D’Ávila (PCdoB) – 35º lugar (11 votos)
  • Onyx Lorenzoni (DEM) – 158º lugar (1 voto)

Na Câmara de Vereadores

Ontem à tarde, diversos cidadãos porto-alegrenses, membros de entidades ambientalistas, associações de moradores ou simpatizantes fizeram manifestação silenciosa na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, contra o projeto Pontal do Estaleiro. Há uma pressão do poder econômico para que a lei que proíbe construção de espigões à beira do Guaíba seja mudada, e os vereadores, espertamente, conseguiram transferir a votação para depois da eleição. Mas os cidadãos já demonstram que estão de olho em nossos representantes.

Além do protesto, vale a pena chamar a atenção para uma fala da vereadora Sofia Cavedon (PT), que além de se manifestar contra o projeto, também declarou sua solidariedade com diversos educadores que foram vergonhosamente atacados por uma pseudo-reportagem da revista Veja, dentre eles Paulo Fioravante, professor de História do tradicional Colégio Anchieta, em Porto Alegre. Citou inclusive charges do cartunista Santiago, que ontem estava presente na Câmara passando um abaixo-assinado contra a construção de um espigão na Lima e Silva.

Mudança de voto

Eu ia votar na Vera Guasso, a única candidata à prefeitura de Porto Alegre que não tem o “rabo preso” nessa eleição.

Mas diante do perigo de termos um segundo turno entre Fogaça e Britto Manuela (que tem Berfran Rosado como vice), vou, mais uma vez, digitar “13” na urna eletrônica. Entre Fogaça, Manuela e Rosário, a última é a menos pior das alternativas.

É isso, ou anular o voto no segundo turno… Pois o problema não é a Manuela, e sim, as péssimas companhias que ela escolheu. Se por acaso ela deixa a prefeitura, quem assume é o Berfran.

Não dá para se iludir: votar na Manuela, infelizmente, é igual a votar no Britto. E no Fogaça também: agora no PMDB, ele foi eleito em 2004 e ficou até o ano passado no mesmo PPS de Berfran, que hipocritamente fala em “mudança”.

Em um 11 de setembro

A situação política na Bolívia anda por demais complicada, devido aos violentos protestos promovidos pela oposição contra o governo de Evo Morales.

Muita gente acredita que Evo “tem o exército ao seu lado”, e que por isso é difícil que aconteça um golpe na Bolívia. Acho temerária esta crença. Pois num outro mês de setembro, em 1973, o presidente do Chile, Salvador Allende, acreditava ter o exército ao seu lado. E na terça-feira, dia 11, percebeu que muitos militares, que diziam serem leais ao governo e à constituição, na verdade apenas conspiravam, e falavam aquilo da boca pra fora.

Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Postales e da Rádio Corporación. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos.

A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.

(Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973)

10 teses sobre o Holocausto e o Revisionismo

  1. Houve um plano nazista para exterminar todos os judeus que habitavam territórios ocupados pela Alemanha ou pelos seus aliados;
  2. O plano de extermínio foi criado pelo próprio Hitler que o anunciou conjuntamente com outros dirigentes nazistas;
  3. Tanto Hitler como outros dirigentes nazistas foram informados do desenvolvimento do processo de extermínio dos judeus;
  4. O extermínio dos judeus realizou-se, entre outros meios, através de maus-tratos, trabalhos forçados, experiências médicas, fuzilamentos massivos, camionetas com gás e câmaras de gás;
  5. A imensa maioria dos judeus assassinados eram civis inocentes e não tinham relação alguma com tarefas de espionagem ou guerrilha;
  6. O número total de judeus assassinados pelos nazistas foi próximo aos seis milhões. Destes, aproximadamente, um milhão eram crianças;
  7. O Estado de Israel recebeu pagamento em função dos gastos de assentamentos dos sobreviventes da tragédia, e não como indenização pelo número de vítimas do Holocausto;
  8. Pelas suas próprias características, e embora a história da humanidade possua abundantes testemunhos de barbárie e brutalidade, o Holocausto constitui um exemplo excepcional de degradação sem precedentes;
  9. A literatura revisionista, carente da mínima qualidade científica, constitui fundamentalmente um instrumento de propaganda de ideologias anti-semitas, neonazistas e neofascistas, cujas únicas bases reais são a ignorância da documentação histórica, a má fé e o interesse por facilitar, concretamente, o caminho do poder a essas cosmovisões;
  10. A finalidade fundamental do revisionismo é apagar das mentes a lembrança do Holocausto – associado aos horrores do nazismo e, em menor medida, de outros regimes fascistas – para assim facilitar o alcance do poder político às formações com essas orientações ideológicas.

Fonte: VIDAL, César. La revisión del Holocausto. Madrid: Anaya & Mario Muchnik, 1994.

O material acima foi distribuído na aula de História Contemporânea, e o “pirateio” aqui por sua importância. Os grifos são meus.

Façanha boliviana

A última vez que torci mesmo pela Seleção Brasileira foi na Copa de 1994. Não era o futebol mais adorado pela torcida, mas eu ainda me identificava com o time. Talvez pelo fato de que fazia tanto tempo que o Brasil não era campeão.

Depois, comecei a sentir antipatia pela equipe – o Zagallo certamente colaborou muito com isso. E uma das vezes que mais torci contra foi justamente num Brasil x Bolívia, em 1997: Zagallo convocou Paulo Nunes para a Seleção, deixando-o no banco de reservas durante praticamente toda a Copa América, enquanto no Grêmio ele teria sido utilíssimo, e talvez o Tricolor tivesse passado pelo Cruzeiro nas quartas-de-final da Libertadores se o “diabo loiro” estivesse à disposição da equipe. Na decisão do título da Copa América contra os bolivianos em La Paz a altitude não foi tão decisiva, o Brasil fez 3 a 1 e eu tive uma congestão: afinal, engolir o Zagallo não é fácil…

Na Copa de 2002 ainda torci por causa do Felipão, mas sem a mesma intensidade de 1994. Depois, nunca mais. Ainda mais que a Seleção deixou de ser realmente brasileira, jogando apenas na Europa e às vezes nos Estados Unidos, e com raras convocações de jogadores que atuem no Brasil. O time busca apenas atender a interesses econômicos: os amistosos são disputados onde se paga mais pela presença da marca CBF do Brasil, e não com os atletas tendo contato com a torcida brasileira, em seu país.

Por isso, adorei ver a CBF o Brasil empatar em 0 a 0 com a Bolívia, em um Engenhão cheio… De espaços vazios nas arquibancadas. Botaram ingressos caros para ver essa farsa que dizem representar o país.

Quem realmente representa o Brasil são os atletas olímpicos e paraolímpicos, que até sem ganhar medalhas são vencedores, já que conseguem competir mesmo sem o menor incentivo. No futebol, a Seleção Brasileira Feminina consegue ser vice-campeã mundial e olímpica representando um país sem um campeonato nacional da modalidade.

Já esse time que a mídia insiste em chamar de Seleção Brasileira… Quero mais é que fique fora da Copa de 2010. Quem sabe assim aconteça alguma mudança profunda que faça esse time voltar a representar realmente o Brasil.

E o mundo não acabou…

Pelo menos para mim. Hoje entrou em funcionamento o Grande Colisor de Hádrons – em inglês: Large Hadron Collider (LHC) -, o maior acelerador de particulas do mundo, na fronteira entre França e Suíça. O projeto custou cerca de 8 bilhões de dólares – valor criticado por muitos por ser elevado – e pretende explicar melhor a origem do universo.

Sempre que se aproxima a inauguração de um acelerador de partículas, surgem os alarmistas de plantão que falam que as experiências podem “acabar com o mundo”, mediante a criação de buracos negros ou de partículas que gerariam uma reação em cadeia que levaria à destruição do planeta – e até do universo. No final de 1999, quando se aproximava a inauguração do Colisor Relativístico de Íons Pesados – em inglês: Relativistic Heavy Ion Collider (RHIC) -, nos Estados Unidos, também se falou em “fim do mundo” – o que confirmaria os mitos de que o mundo acabaria no ano 2000. Lembro que uma professora levou uma revista que falava sobre o assunto – e, claro, sobre as profecias catastrofistas de “fim do mundo” – para a aula: eu terminava o 2º grau e faria vestibular para Física. Os colegas me olharam com uma cara…

O mundo não acabou, e eu abandonei o curso de Física em 2002. Só imagino a expectativa que devem estar vivendo muitos de meus ex-colegas daquela época. Mas também entendo porque tanta gente teme o “fim do mundo” com o funcionamento do LHC: ele pode ser a prova definitiva de que o Deus do qual as religiões falam simplesmente não existe.

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Mas, e se realmente o LHC destruir o mundo? Eu prefiro olhar pelo lado positivo: já houveram muitas profecias de fim dos tempos no passado, e as pessoas, que acreditavam tanto nelas, não viveram para ver o mundo acabar. Eu terei esse privilégio!